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Acordo bilionário de urânio com país africano coloca duas potências nucleares em rota de conflito

Disputa por minas de urânio no Sahel evidencia interesses conflitantes de gigantes geopolíticos

Minério de urânioCréditos: PICRYL
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O governo francês demonstrou preocupação com relatos de que o governo do Níger estaria negociando a venda de uma grande quantidade de urânio à Rússia — um movimento que pode fortalecer a influência de Moscou na África Ocidental e enfraquecer os laços históricos de Paris com a região do Sahel.

Segundo o periódico francês Le Monde, os nigerinos estariam dispostos a vender cerca de 1.000 toneladas de concentrado de urânio (“yellowcake”) armazenadas na mina de Arlit, no norte do país, avaliadas em aproximadamente US$ 170 milhões (cerca de R$ 860 milhões).

Em setembro, o ministério de Minas do Níger propôs no Clube Vaidai, um fórum de economia russo, que Moscou ajudasse o país a desenvolver o seu potencial mineral. Atualmente, as reservas do material no país estão em cerca de 315 mil toneladas, com um potencial bilionário para energia nuclear.

A exploração de urânio no Niger antes era de controle francês. A mina de Arlit, especificamente, era anteriormente operada pela empresa francesa Orano, que suspendeu suas atividades após o golpe de Estado de julho de 2023, quando o presidente Mohamed Bazoum foi deposto e o general Abdourahamane Tiani assumiu o poder.

Desde então, as autoridades nigerinas têm adotado medidas para tirar a influência francesa do país, revogando as licenças da Orano e transferindo a operação das minas para empresas estatais.

Em 2024, a junta também expulsou diplomatas e executivos franceses, acusando-os de interferência e de manter uma “atitude neocolonial”.

Já em agosto de 2025, o governo anunciou a nacionalização da principal mina de ouro industrial do país, sob a justificativa de descumprimento contratual por parte de sua operadora ocidental.

A rota de confronto no Niger entre França e Rússia acaba se tornando um exemplo claro da disputa por influência em África por parte de duas potências nucleares.

Antes do rompimento das relações, o Níger fornecia até 15% do urânio utilizado nas usinas nucleares francesas. Caso o acordo seja concretizado, a estatal russa Rosatom conquistará uma posição estratégica em uma das regiões mais ricas em urânio do mundo, ampliando a presença de Moscou no continente africano.

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