GEOPOLÍTICA

Potência regional faz compra bilionária de submarinos que pode mudar o equilíbrio no Atlântico Sul

Projeto inclui transferência de tecnologia e participação da indústria naval na manutenção das embarcações

Créditos: Wikipedia
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A Argentina deu início a uma das maiores operações navais de sua história recente. O governo negocia com a França a compra de três submarinos da classe Scorpène, produzidos pela Naval Group, em um contrato avaliado em aproximadamente US$ 2 bilhões. A medida marca o esforço de Buenos Aires para reconstruir sua capacidade submarina e recuperar influência estratégica no Atlântico Sul após oito anos sem embarcações desse tipo.

As negociações avançam desde 2024, quando foi assinada uma carta de intenções entre os dois países. A proposta inclui não apenas a aquisição, mas também a transferência de tecnologia e a participação do estaleiro argentino Tandanor na manutenção e suporte técnico, o que pode reativar setores da indústria naval nacional. Para a Marinha argentina, trata-se de um passo crucial desde a perda do ARA San Juan, em 2017, que deixou o país sem submarinos operacionais.

Submarinos de nova geração

O Scorpène é um submarino de ataque de propulsão diesel-elétrica desenvolvido pela França e pela Espanha, já adotado por marinhas como as do Brasil, Índia, Chile e Malásia. As unidades possuem até 72 metros de comprimento, deslocamento entre 1.600 e 2.000 toneladas e podem operar a mais de 300 metros de profundidade. Com autonomia de 70 dias e capacidade de permanecer submersas por até 12 dias sem emergir, são equipadas com o sistema de combate SUBTICS e podem lançar torpedos e mísseis Exocet SM39.

Versões com propulsão independente de ar (AIP) ampliam a furtividade e o tempo de imersão, tornando os submarinos ideais para missões de vigilância e dissuasão. Para especialistas em defesa, o projeto representa não apenas modernização, mas também uma resposta à crescente competição por recursos marítimos e energéticos no Atlântico Sul.

Nova geopolítica no Atlântico

Desde a tragédia do ARA San Juan, a ausência de submarinos reduziu a capacidade da Argentina de monitorar sua Zona Econômica Exclusiva — que abrange 1,7 milhão de km² — e fragilizou o controle sobre a pesca ilegal e as operações em águas profundas. A compra dos Scorpène, portanto, é vista como um gesto de soberania e reposicionamento estratégico.

Com os novos submarinos, a Argentina poderá atuar lado a lado com o Brasil, que já opera quatro unidades da mesma classe. A parceria técnica entre as duas maiores marinhas do Cone Sul tende a fortalecer a cooperação regional em defesa e a consolidar um novo equilíbrio de forças no Atlântico Sul.

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