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"Mais capaz, adaptável e letal do mundo": EUA posicionam maior porta-aviões do planeta contra vizinhos do Brasil

Conheça as capacidades do USS Gerald Ford, novo e gigantesco porta aviões dos EUA deslocado para o Caribe

USS Gerald R. FordCréditos: USAF
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O deslocamento do porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior e mais avançado navio de guerra do planeta, para o mar do Caribe marca um dos movimentos militares mais agressivos dos Estados Unidos nas últimas décadas. A embarcação chegou à região em 11 de novembro de 2025, acompanhada por uma frota de destróieres, submarinos e aeronaves, totalizando mais de 15 mil militares.

A narrativa oficial dos EUA declara que  a missão tem como objetivo “combater o narcotráfico e o crime transnacional”, mas o objetivo é uma clara demonstração de força contra a Venezuela e uma forma de pressionar o governo de Nicolás Maduro.

A presença do Gerald Ford e de seu grupo de ataque eleva drasticamente o poder ofensivo norte-americano na vizinhança do Brasil. A operação é conduzida pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), que alega tratar-se de uma campanha antinarcóticos. Na prática, o reposicionamento militar permite ao Pentágono lançar ataques aéreos e navais em minutos contra qualquer alvo na costa venezuelana.

USS Gerald Ford

Apresentado pela Marinha dos EUA como “a plataforma de combate mais capaz, adaptável e letal do mundo”, o USS Gerald R. Ford é o primeiro de uma nova geração de superporta-aviões movidos a energia nuclear.

Com 337 metros de comprimento, 78 metros de largura e mais de 100 mil toneladas de deslocamento, o navio representa uma revolução na guerra naval. Alimentado por dois reatores nucleares, ele pode operar por mais de duas décadas sem reabastecimento.

O Gerald Ford abriga até 90 aeronaves, incluindo caças F/A-18 Super Hornet, jatos de guerra eletrônica EA-18 Growler, aviões-radar E-2D Hawkeye e helicópteros MH-60 Seahawk.

Ele também possui capacidade de operar drones e, futuramente, caças F-35C. Suas catapultas eletromagnéticas (EMALS) substituem o antigo sistema a vapor, permitindo lançamentos mais rápidos e flexíveis, enquanto o sistema de recuperação avançado (AAG) garante maior segurança nas operações de pouso.

O navio conta ainda com radares de última geração, como o Dual Band Radar (DBR), que combina sensores X e S-band para vigilância e direcionamento de mísseis, além de sistemas antimísseis ESSM, RAM e CIWS para defesa em camadas.

Sua capacidade elétrica é três vezes maior que a dos porta-aviões da classe Nimitz, possibilitando o uso futuro de armas de energia dirigida, como lasers e canhões eletromagnéticos.

Apesar de seu gigantismo, o Gerald Ford opera com cerca de 500 a 900 tripulantes a menos que seus antecessores, graças à automação de processos.

Isso reduz custos e aumenta a eficiência, transformando o navio no núcleo das futuras operações de projeção de poder dos EUA — um símbolo de domínio marítimo global agora posicionado perigosamente perto da América do Sul.

Agressão à Venezuela

O envio do Gerald Ford ao Caribe ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Caracas. Desde agosto, o presidente venezuelano Nicolás Maduro iniciou o alistamento de milhões de milicianos para defender o país contra uma possível invasão, após o governo Trump acusá-lo — sem provas — de chefiar um suposto cartel de narcotráfico.

Maduro tem afirmado que “nenhuma bota imperial manchará este solo”, denunciando a operação estadunidense como uma ofensiva neocolonial para controlar as reservas de petróleo do país. O governo venezuelano tem mobilizado forças militares e paramilitares para defesa da soberania territorial.

As suspeitas de que a “guerra às drogas” seja uma fachada ganharam força após uma série de ataques dos EUA a embarcações supostamente ligadas ao tráfico, que resultaram em mais de 70 mortes e na suspensão da cooperação de inteligência por parte da Colômbia. O presidente colombiano Gustavo Petro classificou as ações ordenadas por Trump como “execuções extrajudiciais” e anunciou o rompimento do compartilhamento de informações com agências norte-americanas.

A justificativa de “combate ao narcotráfico” usada pelos EUA tem sido amplamente contestada. Segundo denúncia do ex-Boina Verde Jordan Goudreau — ex-mercenário envolvido em tentativas de golpe na Venezuela —, o chamado “Cartel de los Soles”, apontado por Washington como organização ligada ao governo Maduro, foi na verdade uma invenção da CIA nos anos 1990, criada para encobrir operações de tráfico de drogas no Caribe e justificar intervenções militares.

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