Donald Trump nega, mas o presidente Nicolás Maduro diz que os Estados Unidos estão se preparando para atacar a Venezuela.
Por isso, ele assinou um decreto integrando as milícias populares e toda a estrutura estatal ao Exército.
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Isso é indicativo de que, em caso de invasão, os venezuelanos moveriam uma guerra de guerrilhas, a partir das regiões montanhosas de Caracas ou da floresta amazônica.
O comandante do Exército Bolivariano, general Vladimir Padriño, disse em entrevista que seu país não quer guerra, mas está preparado para enfrentá-la. "Estaremos aqui", resumiu.
A Venezuela dispõe de caças russos Sukhoi Su-30MKK armados com mísseis antinavio Kh-31.
Porta-aviões
Porém, com o deslocamento do porta-aviões USS Gerald Ford para o Caribe, é difícil acreditar que os caças venezuelanos sobreviveriam a um ataque massivo.
O porta-aviões carrega 75 aeronaves a bordo, de caças F-18 a aviões de reconhecimento.
Ele agora integra a maior missão militar de Washington na região dos últimos 30 anos.
Donald Trump alega que o objetivo é combater o tráfico de drogas e já ameaçou os governos da Venezuela e da Colômbia.
Os exercícios militares da Venezuela, transmitidos pela TV, exibem um aparato militar que poderia causar danos.
Um deputado russo disse que seu país forneceu recentemente a Caracas sistemas anti-aéreos Pantsir-S1 e Buk M2E.
O Pantsir é um dos sistemas de artilharia antiaérea móvel mais sofisticados do mundo, armado com mísseis terra ar.
O Buk é um lançador de mísseis de médio alcance que se provou muito eficaz, ironicamente, na guerra da Ucrânia, mas nas mãos do exército ucraniano, que dispõe de modelos herdados da União Soviética.
Lançadores de ombro
Nicolás Maduro afirmou que a Venezuela também dispõe de 5 mil lançadores de mísseis portáteis Igla-S, fornecidos pela Rússia, que teriam sido espalhados pelo país.
Os lançadores de ombro disparam mísseis com alcance de 6 quilômetros e altitude de 3.500 metros.
Mais uma vez, ironicamente, foi um tipo de arma muito utilizada contra a União Soviética quando esta invadiu o Afeganistão, então fornecida pelos Estados Unidos e aliados aos mujahidin.
A estratégia venezuelana é lutar uma guerra assimétrica em solo, tirando proveito do conhecimento do terreno, uma vez que os EUA teriam superioridade aérea em questão de horas.
A opinião pública estadunidense tem pouco estômago para baixas militares e Trump quer o Prêmio Nobel da Paz de 2026.
Porém, é estratégia de longo prazo do Pentágono reduzir a dependência dos EUA do petróleo do Oriente Médio, optando por fontes mais próximas: África e América Latina.
É neste contexto que as ameaças de Trump à Nigéria e à Venezuela podem ser entendidas: são dois grandes produtores de petróleo.
Bélgica, em vez de Venezuela
Em recente entrevista, o chanceler russo Sergei Lavrov ironizou as ameaças de Trump:
Em vez de mirar a Nigéria e a Venezuela com operações antidrogas e possíveis apreensões de campos de petróleo, os EUA provavelmente deveriam se concentrar em erradicar esse mal social na Bélgica.
Lavrov se referia a uma carta aberta escrita por um juiz belga dizendo que seu país pode se tornar um "narcoestado". A Bélgica é ponto de trânsito de narcotraficantes que abastecem o mercado europeu.
Ocupada com a guerra na Ucrânia, a Rússia dificilmente daria apoio militar a Caracas em um confronto com os EUA.
Os EUA dispõem de ao menos 10 mil soldados no Caribe, além de uma frota que inclui três navios de assalto com fuzileiros navais: USS Iwo Jima, USS Fort Lauderdale e USS San Antonio.
O destróier Gravely está ancorado na capital de Trindade e Tobago. A distância entre Port Spain e a costa da Venezuela é de apenas 11 quilômetros.
Trindade pode servir de base para que os EUA assumam o controle das grandes reservas de petróleo da Venezuela na bacia do rio Orinoco.
De acordo com o New York Times, a principal base terrestre para as forças estadunidenses está em Porto Rico, onde o Pentágono construiu recentemente bunkers para estocar armamentos para drones.
Perto de Ceiba, na ilha, foram fotografados caças F-35, helicópteros e ao menos um avião de ataque AC-30.
Nas ilhas Virgens estadunidenses foi recentemente instalado um sistema de radares. Aviões de reabastecimento aéreo estão estacionados na ilha de Saint Croix.