REPRISE

EUA repetem Saddam e inventam ameaça da Venezuela

Propaganda tenta inverter a realidade: Caracas é que ameaça Washington

O mapa.Pelo mapa da Newsweek, a Venezuela poderia atacar com drones as bases dos EUA no Caribe.Créditos: Reprodução
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Em 8 de setembro de 2002, o New York Times publicou uma "reportagem" assinada por Michael R. Gordon e Judith Miller e baseada em fontes anônimas do governo de George W. Bush.

Dizia o texto: "Mais de uma década depois de Saddam Hussein ter concordado em renunciar às armas de destruição em massa, o Iraque intensificou sua busca por armas nucleares e embarcou em uma busca mundial por materiais para fabricar uma bomba atômica, disseram hoje autoridades do governo Bush".

O diário chegou a publicar na primeira página a foto de um drone que Saddam Hussein supostamente poderia usar para atacar Nova York com armas químicas.

As fake news sobre armas de destruição em massa de Saddam foram decisivas para vender ao público estadunidense a necessidade de invadir o Iraque, o que aconteceu em 20 de março de 2003.

A repórter Judith Miller assinou várias reportagens baseadas em fontes anônimas e no estelionatário iraquiano Ahmed Abdel Hadi Chalabi, instalado pelos EUA como vice primeiro ministro e ministro do Petróleo do Iraque depois da ocupação.

Chalabi tinha uma condenação a 22 anos de prisão por fraude bancária na Jordânia, de onde fugiu sem prestar contas à Justiça.

Reprise

Agora, começam a pipocar na mídia "notícias" de uma suposta ameaça da Venezuela às bases militares dos Estados Unidos no Caribe, através de drones que teriam sido construídos em parceria com o Irã.

Isso acontece depois de Washington ter movido para o Caribe a maior força militar dos últimos 30 anos, de porta-aviões a drones MQ-9 Reaper, de última geração.

A revista Newsweek publicou um mapa com o possível alcance de drones da Venezuela, que em tese poderiam atingir navios ou bases estadunidenses em Trindade e Tobago, nas ilhas Virgens estadunidenses, em Porto Rico e até em Guantanamo, Cuba.

O Miami Herald, notório batedor de bumbo por intervenções dos EUA na América Latina, deu de manchete:

Venezuela se prepara para possível ataque dos EUA com drones armados projetados pelo Irã

É uma clara tentativa de transformar o quarto maior exército da América Latina, depois de Brasil, México e Argentina, numa ameaça externa, justamente como foi feito com Saddam Hussein.

Os EUA invadiram o Iraque em março de 2003 e menos de nove meses depois já haviam capturado Saddam Hussein. A reação do exército iraquiano foi mínima, apesar das "notícias" falsas de que poderia usar armas químicas contra os invasores.

O tablóide britânico Daily Mail, sem citar suas fontes, "informou" que a Venezuela teria concedido passaportes a 10 mil iranianos, sírios e libaneses, que poderiam se infiltrar nos Estados Unidos e cometer atos de terrorismo.

O site Iran News, controlado por exilados iranianos que se opõe ao governo do aiatolá Khamenei, cravou:

Iranianos controlam instalações de drones na Venezuela enquanto navios de guerra dos EUA se deslocam.

Mesmo que a Venezuela tenha uma fábrica de drones sofisticada e um depósito de milhares de aparelhos, dificilmente isso escaparia a um ataque aéreo dos Estados Unidos, considerando a disparidade de forças e o controle aéreo imediato que o Pentágono teria em caso de conflito.

Portanto, trata-se de propaganda pura para justificar eventual ataque estadunidense.

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