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Tempestades "canibais" no Sol vão atingir a Terra e podem causar "apagão" na internet

Tempestades eletromagnéticas "canibais", com plasma expelido pelo Sol, devem ser as mais fortes dos últimos 20 anos e podem afetar satélites, redes elétricas e sistemas de navegação GPS

Tempestade solar pode afetar internet na Terra.Créditos: Nasa
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A Agência Espacial Europeia (ESA) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) emitiram alertas sobre a aproximação de uma tempestade geomagnética de grande intensidade, provocada por uma sequência de ejeções de massa coronal (EMC), que são gigantescas nuvens de plasma expelidas pelo Sol, nesta quinta-feira (13). O fenômeno, que já causou apagões de rádio na Europa e na África, pode afetar satélites, redes elétricas e sistemas de navegação GPS, mas não representa risco biológico direto à população.

A erupção solar mais recente, registrada na terça-feira (11) com pico às 10h04 (hora de Lisboa), foi classificada como uma explosão de classe X5.1, uma das mais fortes da escala solar, segundo a ESA. Menos de uma hora depois, uma ejeção de massa coronal foi observada com velocidade inicial de 1.500 km/h, com previsão de impactar a Terra na manhã de quinta-feira (13).

As agências espaciais afirmam que os efeitos poderão se estender por até 48 horas, com tempestades geomagnéticas variando de leves (G1) a fortes (G3) — e até severas (G4), dependendo da orientação do campo magnético terrestre.

“As previsões sugerem que uma segunda tempestade, alimentada pela primeira, resultará potencialmente na maior tempestade solar a atingir o nosso planeta em mais de duas décadas”, informou o Serviço Geológico Britânico, em nota.

A ESA explicou que o evento atual foi o responsável pelas auroras boreais observadas nos últimos dias em países do Hemisfério Norte — inclusive Portugal, onde o fenômeno foi registrado em cidades como Viseu e Figueira da Foz. O Laboratório de Astronomia Solar do Instituto Russo de Pesquisa Espacial confirmou que as auroras atingiram latitudes de até 45 graus, tornando-se uma das manifestações mais intensas da década.

Apelidada de “tempestade canibal”, a sequência de ejeções solares ocorre quando uma onda mais rápida “engole” outra mais lenta emitida anteriormente, ampliando o impacto magnético. A NOAA destacou que, embora não haja risco de apagão global, podem ocorrer oscilações em redes elétricas e interferências em comunicações de rádio e GPS.

“O impacto é grave, mas não representa um risco biológico direto para as pessoas na Terra”, reforçou a ESA.

As autoridades espaciais dos Estados Unidos e da Europa afirmaram estar monitorando o evento em tempo real, recolhendo dados detalhados de observatórios solares e redes de satélites. O fenômeno, que deve persistir até sexta-feira (14), reacende o alerta global sobre a vulnerabilidade das tecnologias terrestres frente à atividade solar — e marca um dos episódios mais intensos do atual ciclo solar, que deve atingir seu pico em 2026.

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