MINERAÇÃO

País africano lança megaprojeto de mineração em parceria com a China e pode transformar sua economia

O investimento na construção da infraestrutura foi de cerca de US$ 20 bilhões, grande parte proveniente de parceiros internacionais, sobretudo asiáticos

Solo de composição ferrosa em Simandou.Créditos: Wikipedia
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Um dos maiores depósitos de minério de ferro de alta qualidade do mundo iniciou oficialmente sua produção na última terça-feira (11) e pode mudar a economia de seu país de origem, a Guiné, que espera produzir cerca de 120 milhões de toneladas de ferro anualmente, tendo como maior parceira de investimentos e destino de exportações a China.

O vice-primeiro ministro chinês, Liu Guozhong, participou da cerimônia de comissionamento da mina e reiterou a parceria do país com a iniciativa "Simandou 2040", o maior projeto de mineração na África, que pode tornar a Guiné o segundo maior exportador de minerais e metais do continente em termos de valor agregado.

A mina inaugurada no país da África Ocidental, Simandou, faz parte de uma cadeia de montanhas que se estende por 110 quilômetros em uma área de conservação do ecossistema florestal africano, um dos mais ameaçados do mundo. O ecossistema das florestas da Alta Guiné, do qual a Serra de Simandou faz parte, estende-se pelo sul da Guiné, Serra Leoa, Libéria, sul da Costa do Marfim, Gana e oeste do Togo. Localizada na região do porto de Morebaya, a infraestrutura da mina é composta por até 75% de investimentos chineses e deve enviar até três quartos de seus lucros ao país asiático.

O projeto integra mineração em larga escala de ferro de alta qualidade (do qual a Guiné estima ter mais de 4 bilhões de toneladas) a uma infraestrutura de ferrovia transnacional, construída ao longo de 650 km, além de portos de escoamento — também erguidos especialmente para o megaprojeto — que podem embarcar até 120 milhões de toneladas de produto por ano.

O investimento na construção da infraestrutura foi de cerca de US$ 20 bilhões, grande parte proveniente de parceiros internacionais, sobretudo asiáticos, incluindo um consórcio de Singapura (Winning Consortium Simandou) e outro ligado à Chinalco (Rio Tinto), estatal chinesa que desenvolve minerais e metais não ferrosos.

A ferrovia, que liga as minas de Simandou até o porto de Morébaya, na costa da Guiné, deve contar com 12 estações e 206 pontes, além de quatro túneis. Operada por uma joint-venture entre o governo da Guiné, Rio Tinto (Chinalco) e WCS, vai servir também para o transporte de passageiros. Até agora, 38 dos vagões destinados a escoar minério foram entregues ao porto de Morébaya, parte de um plano para uma frota total de 10.000 vagões. 

O minério que parte de Simandou tem elevado teor de ferro, os chamados óleos premium grade, e compõe matérias-primas para a produção do "aço verde", fabricado com menores liberações de carbono na atmosfera.

Essa estratégia de produção mais ecologicamente viável eleva os preços no mercado internacional e o valor agregado da produção, inclusive do processamento realizado no próprio país.

As projeções oficiais do governo simulam um salto significativo nas receitas do Estado a partir da mina, além da geração de milhares de empregos diretos e indiretos durante a fase de operação.

O governo anunciou, também, planos para a criação de um fundo soberano com as receitas do projeto, destinado a financiar investimentos públicos e a proteger o país contra possíveis choques de preços nas commodities.

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