Um novo relatório da Human Rights Watch (HRW) e da Cristosal revela os horrores enfrentados por migrantes venezuelanos enviados pelos Estados Unidos para o Centro de Detenção de Terroristas (CECOT), em El Salvador, durante o governo de Donald Trump. De acordo com o estudo, mais de 250 homens foram detidos sob acusações frágeis de envolvimento com gangues, sendo submetidos a espancamentos, abuso psicológico e agressões sexuais.
Em 2025, o governo Trump usou uma lei do século XVIII, a Lei de Inimigos Estrangeiros, para deportar venezuelanos para El Salvador, acusados sem provas concretas de serem membros do Tren de Aragua, uma gangue transnacional.
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Os homens foram mantidos em condições desumanas, sem contato com suas famílias ou advogados, e sofreram abusos frequentes. Em relatos, muitos dos detidos afirmaram que os guardas da prisão os ameaçavam com agressões físicas e psicológicas diárias.
O caso de Neri Alvarado, um dos prisioneiros, exemplifica a crueldade das detenções. Ele foi alvo de abuso por suas tatuagens, sendo espancado e forçado a escrever com seu próprio sangue: “somos migrantes, não terroristas”.
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O relatório também detalha que os prisioneiros eram frequentemente negligenciados quanto à alimentação e cuidados médicos, com 37 dos 40 ex-detentos entrevistados afirmando ter adoecido durante a detenção.
Além disso, o impacto psicológico foi devastador. Muitos dos detidos relataram sentimentos de depressão e ansiedade após a libertação, com alguns dizendo ter pensamentos suicidas.
Após a exposição dos abusos, organizações de direitos humanos exigem que o governo dos EUA pare de enviar cidadãos de outros países para prisões salvadorenhas e que os deportados tenham direito de apresentar seus pedidos de asilo.
As organizações também denunciaram a falta de responsabilidade dos Estados Unidos, que ao enviar migrantes para El Salvador, violaram o princípio da não repulsão, que proíbe o envio de pessoas a países onde há risco de tortura ou perseguição.
Sarah Yager, da HRW, afirmou que a administração Trump justificou as deportações alegando que os homens eram criminosos, sem, no entanto, apresentar provas substanciais.