Numa entrevista ao diário Kiev Independent, o catarinense Everson Neves, de 25 anos de idade, confirmou que um integrante do Comando Vermelho lutou em vários batalhões ucranianos durante a guerra contra a Rússia.
A polícia do Rio investiga as viagens de Philippe Marques Pinto, de 29 anos. Há indícios de que ele permanece na Ucrânia.
Te podría interesar
Policiais cariocas sugerem que o faccionado estaria fazendo um intercâmbio para obter treinamento militar.
Porém, na verdade, os voluntários são atraídos pelos altos salários oferecidos, uma vez que a Ucrânia enfrenta grandes dificuldades para mobilizar soldados locais.
Quem passa um mês na frente de batalha pode receber o equivalente a R$ 25 mil.
Everson Neves disse ao diário que foi músico no Brasil. Ele é de ascendência alemã e está na Ucrânia há três anos.
Contou ao repórter que os voluntários quase sempre desembarcam na Polônia e, ao entrar na Ucrânia, procuram os postos de recrutamento.
Ofensiva para recrutar
Recentemente, o governo de Volodymyr Zelenski lançou uma ofensiva nas redes sociais para atrair brasileiros, assim como já havia feito na Colômbia.
Everson contou que já atuou como médico de combate mas em seguida foi recrutado para operar drones.
O brasileiro foi ferido em combate e tem estilhaços no corpo.
Ele desempenhou uma das funções mais perigosas da guerra, já que os operadores de drone FPV, imersos no ambiente virtual, são encarregados de "caçar" individualmente alvos, muitas vezes um soldado russo escondido atrás de uma árvore.
Por causa disso, a infantaria russa se infiltra nas linhas de defesa da Ucrânia com o objetivo específico de localizar os operadores de FPV e matá-los.
Homem do CV em várias batalhas
Everson confirmou a suspeita sobre o traficante do Comando Vermelho, relatando que amigos brasileiros dele lutaram ao lado do suspeito em várias batalhas e locais diferentes da Ucrânia.
O entrevistado supõe que haja outros traficantes lutando na Ucrânia, uma vez que a checagem é mínima e não há coordenação entre a inteligência local e autoridades brasileiras.
Porém, contou que a maioria dos voluntários brasileiros é formada por policiais civis, militares e ex-integrantes do Exército. Eles formam uma comunidade através de grupos em aplicativos como o Telegram.
Em 2022 a Ucrânia chegou a formar uma legião formal de soldados estrangeiros, citando o recrutamento de 20 mil deles, originários de 52 países diferentes.
Porém, levantamentos posteriores reduziram este número para entre 3 a 4 mil. Um deles se comparou a uma "lombada" no caminho do avanço russo, sugerindo que os voluntários são descartáveis.
Muitos viajam não apenas em busca dos salários, mas da fama e de deixar para trás problemas em casa.
O estadunidense John McIntyre, um veterano de guerra, causou consternação ao mudar de lado: ele atravessou a linha de frente e foi visto pela última vez dando entrevista a um canal de TV russo.