Israel despachou um avião com 153 palestinos para a África do Sul, no que pode ser o primeiro de muitos vôos para cumprir o objetivo do governo de Benjamin Netnanyahu de "esvaziar" aos poucos a faixa de Gaza.
Pior: uma organização de nome Al Majd, fundada em 2010 na Alemanha e que se diz dedicada a, dentre outras coisas, resgatar palestinos de zonas de guerra, cobrou de 1.500 a 5 mil dólares por pessoa pela viagem.
Sair de Gaza sem autorização de Israel é uma impossibilidade. Os passageiros viajaram de ônibus até o aeroporto de Ramon, no sul de Israel, onde embarcaram no avião que os levou a Joanesburgo, com escala no Quênia.
Um ativista pelos direitos civis palestinos afirmou ter havido um vôo anterior e disse que a Al Majd tem ligações com o Shin Bet, o serviço de inteligência interna de Israel.
Os palestinos se inscreveram para a viagem pelas redes sociais. Eles pousaram na África do Sul sem os documentos necessários, ficaram parados dentro do avião até receberem permissão para desembarcar do presidente do país, Cyril Ramaphosa.
Ele disse que fez isso por questões humanitárias.
Paraíso imobiliário?
Desde que Israel e o Hamas assinaram um cessar-fogo, há um mês, o exército de ocupação já matou 242 palestinos e feriu outros 622.
Com ao menos 1 milhão de palestinos vivendo fora de casa em Gaza, as condições humanitárias na faixa seguem terríveis.
Segundo os Médicos sem Fronteiras:
Doenças diretamente ligadas às más condições de vida — como infecções de pele, olhos, respiratórias e gastrointestinais, além de dores generalizadas — representam 70% de todas as consultas ambulatoriais em nossos centros de saúde no sul de Gaza. Sem melhorias imediatas no acesso à água, saneamento, abrigo e nutrição, mais pessoas morrerão por causas totalmente evitáveis.
O plano dos Estados Unidos para reconstruir Gaza dividiria o território em zonas vermelha e verde.
Na verde, tropas de Israel atuariam em conjunto com forças externas para dar cobertura à reconstrução.
A zona vermelha, que está destruída, por enquanto ficaria como está. O plano levou a denúncias de que os moradores da faixa serão reassentados longe do mar.
Curiosamente, a zona vermelha cobre quase toda a costa de Gaza no Mediterrâneo, que Donald Trump sugeriu transformar em um paraíso imobiliário.