Oito sobreviventes de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell lançaram neste domingo (16) um vídeo de utilidade pública em que pedem que o Congresso dos Estados Unidos divulgue todos os arquivos restantes do caso.
A peça é assinada pela organização World Without Exploitation e chega às vésperas de uma votação decisiva na Câmara sobre a liberação integral dos documentos.
Te podría interesar
No vídeo, as mulheres aparecem segurando fotos de si mesmas quando tinham 14, 16 e 17 anos, idades em que conheceram Epstein. “Eu sofri tanta dor”, diz uma delas. “Somos cerca de mil. É hora de tirar os segredos das sombras. É hora de jogar luz na escuridão.” Ao final, surge a mensagem: “Cinco governos e ainda estamos no escuro. Ligue para o seu congressista e exija que liberem todos os arquivos de Epstein”.
Vídeo reforça pressão por transparência total
O apelo público ocorre em meio a uma campanha crescente de sobreviventes para obrigar o Congresso a aprovar uma lei de transparência dos chamados “arquivos Epstein”, movimento que a Revista Fórum já mostrou em atos anteriores em Washington. A votação prevista para terça-feira (18) foi destravada por uma petição de descarga bipartidária, instrumento raro usado quando a direção da Câmara tenta segurar um projeto.
Te podría interesar
Do lado da Casa Branca, o presidente Donald Trump tem repetido que a pressão por liberar todos os documentos é uma “farsa politicamente motivada” por democratas, discurso que já provocou atritos com nomes da própria direita, como Marjorie Taylor Greene e Thomas Massie.
Entenda: “Base de Trump em polvorosa com suposto abafa do caso Epstein”.
Epstein, Trump e a disputa pelos arquivos
Epstein, milionário ligado ao mercado financeiro, comandou uma rede internacional de exploração sexual de meninas e jovens mulheres. Documentos que já vieram a público citam empresários, políticos e membros da realeza, como detalha a Fórum em textos como “Documentos do caso Epstein trazem menções a Musk, Gates e príncipe Andrew”. No centro da disputa agora estão os arquivos que permanecem sob sigilo em órgãos do governo.
Trump aparece em diversas pontas dessa história. A Fórum revelou que o presidente foi avisado de que seu nome consta em registros ligados ao caso, incluindo listas de voo e citações em documentos, em “Trump foi alertado que seu nome aparece em arquivos de Epstein”. Mais recentemente, e-mails divulgados por democratas indicam que ele sabia da presença de meninas muito jovens no círculo de Epstein, como mostrou a matéria “Caso Epstein: e-mails mostram que Trump ‘sabia sobre as garotas’”.
Se aprovado, o pacote de transparência pode abrir uma nova fase de investigações e ações civis com base em documentos oficiais até hoje ocultos. Para as sobreviventes que aparecem no novo vídeo, porém, a questão é mais simples do que o jogo de poder em Washington: sem ver a cadeia completa de cumplicidade exposta, a rede de violência que permitiu que Epstein agisse durante anos continua intacta nas sombras.