O Chile chega às urnas neste domingo sem qualquer pesquisa recente para orientar o eleitorado. A legislação eleitoral impede a divulgação de levantamentos nos 15 dias anteriores ao pleito, o que torna impossível saber, na véspera, quem realmente desponta como favorito.
As últimas sondagens liberadas, ainda no fim de outubro, colocavam Jeannette Jara na liderança, embora sem garantia de vitória no 1º turno.
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Além da escolha presidencial, os chilenos renovam 155 cadeiras da Câmara e 23 do Senado. A disputa reúne os nomes da direita que tentam avançar ao segundo turno — José Antonio Kast, Evelyn Matthei, Johannes Kaiser e Franco Parisi.
Confira a média das pesquisas compiladas pelo Radar Electoral, em 1º de novembro:
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Média das pesquisas
- Jeannette Jara – 28,58% (Partido Comunista, esquerda)
- José Antonio Kast – 19,93% ((Partido Republicano, extrema direita)
- Johannes Kaiser – 15,66% (Partido Nacional Libertário, direita)
- Evelyn Matthei – 14,18% (União Democrática Independente, centro-direita)
Segundo turno pode alterar a correlação de forças
Mesmo com vantagem no primeiro turno, Jara não aparece como favorita nas simulações de segundo turno, marcado para 14 de dezembro, caso nenhum candidato ultrapasse os 50% mais um dos votos válidos.
Segundo a AtlasIntel, ela perderia para todos os adversários testados. No cenário mais competitivo, contra José Antonio Kast, o placar projetado é de 47% a 39%.
Embora o país esteja entre os mais seguros da América Latina, o tema da segurança pública dominou a campanha. Uma pesquisa da Activa mostrou que 50,8% dos chilenos veem a criminalidade como maior preocupação, seguida por imigração (32,1%) e tráfico de drogas (20,7%).
Esse cenário impulsionou Jose Antonio Kast, que concentrou seu discurso na associação entre imigração irregular e aumento da violência, propondo desde o endurecimento de fronteiras até voos de deportação financiados pelos próprios imigrantes.
Na reta final antes do bloqueio das pesquisas, Johannes Kaiser, figura da extrema direita que emergiu como “versão chilena de Milei”, ganhou terreno prometendo expulsões em massa, críticas ao multilateralismo e até apoio a um novo golpe caso “as circunstâncias de 1973 se repetissem”. Sua retórica inclui retirar o país da Corte Interamericana de Direitos Humanos e criar centros de retenção de estrangeiros inspirados em políticas norte-americanas.
Apesar do tom alarmista, os dados oficiais indicam queda de 13,8% na taxa de homicídios no primeiro semestre de 2025, e o Chile ainda apresenta indicadores muito mais baixos do que os de Brasil, México ou Colômbia.
Observadores da eleição apontam que a percepção de insegurança também é alimentada pela mídia: monitoramentos mostram que até 40% do conteúdo televisivo das manhãs é dedicado a notícias policiais, demarcando um clima emocional que favorece a extrema direita.