Mais de 100 pessoas ficaram feridas e 20 foram detidas durante um enorme protesto neste sábado na Cidade do México contra a forma como a presidente lida com o crime violento, informaram autoridades do governo local.
Milhares marcharam pela histórica praça central da capital, o Zócalo, em uma manifestação impulsionada por jovens mexicanos conectados a uma onda global de protestos da Geração Z, além de apoiadores do movimento doméstico “Sombrero”, que surgiu após o recente assassinato de um prefeito conhecido por combater o crime organizado.
A AFP observou participantes de todas as idades no ato em frente ao Palácio Nacional, onde a presidente Claudia Sheinbaum vive e trabalha.
Segundo jornalistas da AFP, diversos manifestantes — alguns usando balaclavas — derrubaram as barreiras metálicas que protegiam o palácio e lançaram paralelepípedos contra a tropa de choque, que respondeu com gás lacrimogêneo.
“Por muitas horas, essa mobilização transcorreu e se desenvolveu de forma pacífica, até que um grupo de encapuzados começou a cometer atos de violência”, afirmou aos repórteres Pablo Vazquez, chefe de segurança da Cidade do México.
Vinte manifestantes e 100 policiais ficaram feridos, sendo que 40 agentes foram hospitalizados com cortes e hematomas, acrescentou.
A polícia prendeu 20 pessoas por roubo e agressão, disse Vazquez, e também abriu uma investigação sobre a agressão a um jornalista do jornal La Jornada, que alegou que policiais estavam por trás do ataque.
Inspirados por prefeito assassinado
Sheinbaum, no poder desde outubro de 2024, manteve índices de aprovação acima de 70% em seu primeiro ano de mandato, mas enfrenta críticas crescentes por suas políticas de segurança após vários assassinatos de grande repercussão.
“Este é um dos governos mais corruptos que já tivemos”, disse Valentina Ramirez, uma estudante entrevistada pela AFP. “É um narco-governo corrupto que quer defender os corruptos e os cartéis em vez do povo.”
No sábado, vários manifestantes usavam sombreros semelhantes ao estilo de chapéu que ficou famoso por Carlos Manzo, prefeito do estado de Michoacán, no oeste do país, assassinado em 1º de novembro. Ele era conhecido por sua cruzada contra gangues do narcotráfico em Uruapan, sua cidade natal.
A viúva do prefeito assassinado, porém, afastou o movimento de seu marido da manifestação realizada no sábado.
Bernardo Bravo, líder dos produtores de limão da mesma região, também havia sido morto a tiros no fim de outubro.
No início desta semana, Sheinbaum questionou as motivações do protesto e afirmou em sua coletiva matinal que a manifestação era “inorgânica” e “paga”.
“É um movimento promovido do exterior contra o governo”, declarou.
Manifestantes exibiram faixas com mensagens como “Somos todos Carlos Manzo”, ao lado da icônica bandeira pirata do mangá japonês One Piece, que se tornou símbolo de protestos juvenis ao redor do mundo, de Madagascar às Filipinas e ao Peru.
“Vocês deveriam ter protegido Carlos Manzo assim!”, gritavam alguns manifestantes às forças de segurança, que responderam com extintores e gás lacrimogêneo.
© Agence France-Presse