DISPUTA MILITAR

Potência militar vai comprar caça avançado dos EUA e desafia a liderança de Israel no Oriente Médio

Após Trump autorizar venda de F-35, Israel teme perder vantagem operacional construída ao longo de décadas

Créditos: Wikipedia
Escrito en GLOBAL el

A decisão de Donald Trump de autorizar a venda de caças F-35 para a Arábia Saudita provocou reação imediata no Oriente Médio. O anúncio, feito durante a visita do príncipe Mohammed bin Salman a Washington, levantou o debate sobre o impacto da entrada saudita no programa de aviação mais avançado dos Estados Unidos.

A encomenda pode chegar a 48 aeronaves F-35, caças furtivos de quinta geração com alta capacidade de ataque e sensores sofisticados. O pacote fortalece o esforço de modernização das Forças Armadas de Riad e reposiciona a Arábia Saudita como ator central na disputa por superioridade tecnológica na região. Para Trump, a venda reforça a parceria estratégica com o reino e aumenta a pressão sobre o Irã.

Israel alerta para risco à sua vantagem aérea

A decisão reacendeu a discussão sobre a Qualitative Military Edge (QME), legislação que obriga os Estados Unidos a garantir a superioridade militar de Israel em relação aos vizinhos. Atualmente, Israel é o único país do Oriente Médio autorizado a operar o F-35.

O governo americano ainda não detalhou como pretende conciliar o acordo com a QME. Especialistas apontam que Washington pode impor limites técnicos aos jatos sauditas, como restrições em sistemas de guerra eletrônica, armamentos integrados e acesso a softwares críticos. Mesmo assim, setores das Forças Armadas israelenses admitem preocupação com a possível erosão de sua vantagem operacional.

O negócio ainda precisa passar pelo Congresso dos Estados Unidos, onde deve enfrentar resistência de parlamentares críticos ao histórico de direitos humanos da Arábia Saudita e à sua crescente aproximação com a China. A Casa Branca afirma que incluirá salvaguardas para impedir o repasse de tecnologia sensível.

Na agenda da visita de Mohammed bin Salman entram também temas como investimentos estratégicos, cooperação tecnológica e energia. No entanto, no campo militar, o foco permanece claro: se a venda for adiante, a entrada da Arábia Saudita no programa F-35 tem potencial para alterar alianças, rivalidades e o equilíbrio estratégico do Oriente Médio nos próximos anos.

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