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Vorcaro iria para Malta. Daphne morreu denunciando lavagem de dinheiro na ilha

Polícia Federal está próxima da grande lavagem de dinheiro internacional

Lavagem.Vorcaro e a jornalista assassinada em Malta: um paraíso da lavagem de dinheiroCréditos: Wikipedia e redes sociais
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Daniel Vorcaro, um dos donos do Banco Master, controlador de uma frota de jatinhos e de 20% do Atlético Mineiro, em parceria com Rubens Menin, o dono da versão brasileira da CNN, era o crème de la crème do dinheiro novo brasileiro.

Ele passou meses tentando salvar o seu banco, tendo recebido injeções de dinheiro dos governadores Cláudio Castro e Ibaneis Rocha, do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

Nenhum dos dois colocou um tostão pessoal no banco falido: Castro dilapidou o patrimônio da Rio Previdência e Ibaneis pretendia fazer o mesmo com o banco estatal de Brasília, o BRB.

Ao que se sabe até agora, o Master "emitia moeda".

Isso mesmo, ele imprimia e dava como garantia papéis sem lastro. Por trás dos papéis do Lobo da Faria Lima, não tinha ouro, nem um casebre: era ficção, com promessa de ganho de juros de 40%!

Esperto, Vorcaro arrebanhou apoio midiático para suas operações. Na véspera da ação da Polícia Federal que o prendeu, a Folha de S. Paulo deu como certo que um grupo compraria o banco por R$ 3 bilhões, com apoio de investidores árabes.

A CNN "informou" que, quando foi preso, Vorcaro estava a caminho de Dubai. Mas a Polícia Federal afirma que ele voaria num jato particular para Malta.

O ICL, controlado por um investidor do mercado financeiro, o ex-banqueiro Eduardo Moreira, publicou que Vorcaro contava com a cobertura jurídica de Ricardo Lewandowski (como consultor) e do senador petista Jacques Wagner nos bastidores.

O papel dos árabes

Os países do Golfo Pérsico, dentre os quais Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, nadam em dinheiro.

Além disso, tem sistemas financeiros completamente obscuros.

Há indícios fortes de que o Catar comprou o direito de sediar o Mundial de 2022, que obteve com 14 dos 22 votos.

De acordo com a revista France Football, o Catar levou o voto de Michel Platini, dirigente da UEFA, graças a um pedido do então presidente francês Nikolás Sarkozy, condenado a cinco anos de prisão por fazer campanha com dinheiro do líber líbio Muammar Khadafi.

A reportagem da revista esportiva francesa também citou Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, que à época promoveu um jogo da seleção brasileira contra a Argentina no Catar, que rendeu impressionantes U$ 7 milhões à CBF.

Teixeira e seus sócios, Sandro Rosell, presidente do Barcelona que passou uma temporada preso, e Cláudio Honigman, acusado de praticar estelionato de U$ 408 mil, ao receber dinheiro pra trocar em dólar e não realizar a transação, foram denunciados no livro O Lado Sujo do Futebol.

Depois de viver uma temporada fora do Brasil, Honigman retornou ao país para dirigir o Figueirense. O livro O Lado Sujo do Futebol revela documentos de como o trio forjou operações de papel através de uma corretora de São Paulo, a Alpes.

Teixeira, Rosell e Honigman foram os pioneiros na descoberta das grandes jogadas que poderiam fazer com os países do Golfo Pérsico.

Vorcaro aprendeu rápido: ele havia anunciado que obscuros fundos árabes fariam um aporte de U$ 3 bi para salvar o Banco Master.

Assassinato em Malta

De acordo com a Polícia Federal, o destino de Vorcaro ao fugir seria a ilha de Malta.

Malta não cobra impostos de riqueza, bens ou heranças.

Ganhos de capital obtidos fora de Malta não são taxados ao entrar no país.

Malta não cobra impostos sobre bens declarados no Exterior de não residentes.

A jornalista Daphne Caruana Galizia ganhou milhares de seguidores nas redes sociais depois de denunciar que a ilha era ideal para a lavagem de dinheiro.

Daphne e seu filho mais velho Matthew passaram quase um ano debruçados sobre os chamados Panama Papers e descobriram que os governantes da ilha tinham aberto contas em paraísos fiscais do Caribe.

Pouco antes de morrer, a jornalista, de 53 anos, publicou:

Há bandidos por todos os lados que você olha, agora. A situação é desesperadora.

No dia 16 de outubro de 2017, pouco depois de deixar sua casa, o Peugeot 108 da jornalista explodiu, depois que uma bomba remota foi acionada. Um dos mentores assumiu que recebeu 150 mil euros para matá-la.

Entraves para investigar

A Polícia Federal brasileira conseguiu a colaboração do FBI para investigar as jóias que Jair Bolsonaro e seus asseclas ganharam na Arábia Saudita e em outros países do Golfo e venderam nos Estados Unidos.

Jared Kushner, o genro de Trump, conhecedor dos meandros da política no Golfo Pérsico, é praticamente o embaixador dos Estados Unidos na região.

O Catar ofereceu a Trump um avião de U$ 400 milhões, que será reformado com dinheiro público dos Estados Unidos e em seguida será doado à Biblioteca de Trump, para que ele possa desfrutar de uma aeronave de luxo em sua aposentadoria.

Recentemente, o STJ anulou, por voto monocrático, a ação que levou à cadeia o russo Alessander Rossa. Ele e comparsas foram presos no Brasil por lavar dinheiro fruto de um golpe aplicado na Rússia.

Na casa de um dos presos, a PF achou US$ 223.944 dólares e R$ 55 mil reais.

A quadrilha teria se espalhado pelo Ceará, Goiás e Santa Catarina.

Alessander Rossa se apresentou em Santa Catarina como um milionário do ramo imobiliário, que traria dinheiro do Catar para construir imóveis -- um clássico da lavagem de dinheiro.

Mesmo depois do escândalo, sob protesto de aliados, o advogado de Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, emplacou o russo Alessander Rossa como secretário do Turismo de Atibaia, a cidade de São Paulo onde ele tem grande influência política -- e onde escondeu o operador das rachadinhas Fabrício Queiroz.

Na sequência das investigações destas várias operações suspeitas, a PF terá dificuldades em contar com informações do Catar ou de Malta, que tem sistemas financeiros obscuros justamente para atrair dinheiro de contrabando, corrupção e do crime organizado.

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