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Zelenski a caminho de uma "rendição" humilhante

Washington faz ameaças para que a Ucrânia entregue os pontos

Poderio.Com inovações táticas, a Rússia ganhou a guerra tirando proveito de sua indústria militar e novas tecnologias.Créditos: Wikipedia
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Com a conquista russa de Kupianski -- que a Ucrânia nega -- e o avanço em Pokrovsk -- onde soldados russos tentam cruzar a linha férrea --, uma nuvem escura baixou sob o governo de Volodymyr Zelenski.

As duas cidades acima, cortadas por rodovias e ferrovias importantes, se controladas pela Rússia permitiriam um avanço sem precedentes na guerra. Disse o líder ucraniano, em discurso sombrio:

"Ou os difíceis 28 pontos, ou um inverno extremamente rigoroso. Uma vida sem liberdade, sem dignidade, sem justiça. E confiar em alguém [Putin] que já nos atacou duas vezes".

Ele estava se referindo ao plano de 28 pontos do presidente Donald Trump, que os EUA empurram sob ameaça de cortar informações de inteligência e entrega de armamentos.

Detalhes extra-oficiais do plano foram divulgados na Ucrânia.

Com a chegada do inverno, a ofensiva russa está dando resultados bem mais rápidos do que o esperado, refletindo o desgate na defesa aérea e nos contingentes de tropas de Kiev.

Mais de 100 mil jovens fugiram da Ucrânia nas últimas semanas, com medo de que a idade de recrutamento militar seja reduzida de novo.

O novo mapa da Ucrânia ficaria mais ou menos assim, com Donetsk entregue à Rússia

Saturação e cansaço

Moscou tem saturado Kiev com bombardeios intensos e espalhados, além de penetrar pequenos grupos de infantaria na retaguarda ucraniana para caçar as unidades de defesa que operam drones.

A sede de Vladimir Putin tem um motivo: pelo plano de Donald Trump, as linhas de combate ficariam congeladas onde estiverem no dia da assinatura do acordo nas províncias ucranianas de Kherson e Zaporizhzhia. As repúblicas de Donetsk e Lugansk seriam reconhecidas como parte da Rússia, assim como a Crimeia.

Ou seja, Kiev entregaria quase 20% de seu território.

A Ucrânia ficaria autorizada a ingressar na União Europeia, mas limitando seu exército a 600 mil homens e aceitando que jamais fará parte da OTAN, a aliança militar do Ocidente.

A OTAN assumiria o compromisso de não estacionar tropas na Ucrânia, mas poderia deslocar caças para a Polônia.

Trump ainda leva um trocado

Os Estados Unidos e a UE assumiriam o compromisso de investir U$ 200 bi na reconstrução da Ucrânia.

Mas, num pulo do gato, os U$ 100 bi dos EUA viriam de bens russos congelados no Ocidente e Washington teria 50% de todo o lucro auferido no investimento.

É um esquema parecido com o de Gaza: Washington conduziria a reconstrução e ganharia dinheiro às custas da Ucrânia, podendo assumir setores importantes da infraestrutura do país.

A Rússia seria reintegrada à economia global, com o levantamento das sanções internacionais.

Pelo plano, a Ucrânia promoveria eleições 100 dias depois da assinatura do acordo, provavelmente pondo fim à carreira de Zelenski.

Em outras palavras, se ele assinar o acordo como descrito acima será uma derrota humilhante.

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