ARMAS NUCLEARES

Um dos países mais pobres do mundo aprova acordo nuclear com potência dos BRICS

Acordo prevê infraestrutura nuclear, formação técnica e transferência de tecnologia

Créditos: Reprodução/Youtube
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A Assembleia Legislativa de Transição de Burkina Faso aprovou, por unanimidade, o acordo de cooperação nuclear firmado com a Rússia. A decisão, tomada em plenário na última sexta-feira, marca um passo estratégico na tentativa do país de ampliar sua matriz energética e enfrentar o déficit crônico de eletricidade.

Sob a condução do presidente da Casa, Ousmane Bougouma, os 71 parlamentares presentes validaram o tratado originalmente assinado em 19 de junho de 2025, em São Petersburgo. O documento cria as bases legais para que os dois países avancem na construção de instalações nucleares, na transferência de tecnologia, na gestão de resíduos radioativos e na formação de quadros técnicos burquinenses.

O governo defendeu o acordo como essencial para reverter o baixo nível de eletrificação nacional. Segundo o chanceler Jean Marie Traoré, apenas 34,20% da população tinha acesso à energia elétrica em 2024, índice considerado incompatível com as necessidades econômicas do país. Para ele, a cooperação com Moscou representa uma alternativa concreta para reduzir a dependência de fontes instáveis e ampliar a oferta de energia.

Apesar do apoio majoritário, alguns parlamentares demonstraram preocupação com os impactos ambientais, especialmente no uso da água e na segurança das instalações futuras. O Ministro da Energia, Yacouba Zagré Gouba, afirmou que essas questões serão analisadas com rigor durante o estudo de viabilidade técnica, etapa que definirá a tecnologia a ser adotada e os possíveis locais para implantação.

O programa nuclear também pretende reforçar setores estratégicos além da eletricidade. O governo espera que as aplicações nucleares se estendam às áreas médica, agrícola e industrial, ampliando a autonomia científica do país. Técnicos burquinenses já participam de treinamentos na Rússia desde o memorando firmado em outubro de 2023, numa preparação para a futura execução do projeto.

Com a aprovação legislativa, Burkina Faso entra em uma nova fase de sua política energética, apostando no nuclear como solução estruturante para seu desenvolvimento.

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