A Amazon anunciou, nesta segunda-feira (24), um plano de investimento de US$ 50 bilhões na infraestrutura de inteligência artificial e computação de alto desempenho (HPC) dedicada a agências do governo dos Estados Unidos.
O investimento é um dos maiores do setor já destinados a serviços públicos, de acordo com levantamento da Reuters, e deve se iniciar em 2026.
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A proposta é adicionar até 1,3 gigawatts de capacidade de computação para IA e de supercomputação complexa nas regiões AWS Top Secret, AWS Secret e AWS GovCloud (US), com data centers especialmente projetados para suportar cargas de trabalho sensíveis.
As regiões de nuvem são operadas pela Amazon Web Services e usadas pelos órgãos do governo norte-americano que lidam com dados sigilosos, informações de inteligência, defesa e segurança nacional, considerados serviços críticos.
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O AWS Top Secret é considerado o sistema com mais alto nível de sigilo na classificação do governo, e foi projetado para cargas de trabalho de agências como a CIA, a NSA, o Departamento de Defesa e outros órgãos que lidam com dados classificados de alto nível, com infraestrutura isolada.
Estima-se que mais de 11 mil agências governamentais estejam envolvidas no plano.
Segundo a Amazon, o investimento foca em “derrubar barreiras tecnológicas que têm impedido o governo de avançar”. As soluções de IA devem ser feitas “sob medida” para as funções do Estado dos EUA, com “escalabilidade, segurança e poder computacional elevado” para acelerar missões de segurança nacional, além de treinamentos com simulações complexas, análise detalhada de imagens coletadas por satélites, atividades de previsão ambiental, pesquisas biomédicas e o desenvolvimento de sistemas autônomos.
A empresa também planeja fundir os mecanismos da IA com a supercomputação para “acelerar atividades que antes levariam semanas ou até meses”, e agora poderão ser feitas em horas.
O investimento inclui a construção de data centers com alto desempenho e consumo energético massivo.
As novas tecnologias podem ser empregadas em atividades como a do modelo Raven Sentry, um sistema de IA generativa desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos EUA durante a ocupação do Talibã, em 2020, e usado para “prever os ataques” dos insurgentes.
O Raven Sentry foi uma primeira tentativa de “reconhecer padrões”, alimentado com dados sobre eventos históricos, e lançar as bases de ataques que ainda não aconteceram a fim de deixar o governo em alerta. O funcionamento do sistema foi revelado pelo ex-coronel Thomas Spahr, que atuava como chefe do Departamento de Estratégia Militar, Planejamento e Operações dos EUA.