GUERRA DE ATRITO

Putin convoca general inverno e deixa Zelensky por um fio

Pela primeira vez, avanço russo coordenado em várias frentes

Avanço.Soldado russo caminha em Pokrovsk, cidade em disputa.Créditos: Ministério da Defesa da Rússia
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Hoje a temperatura mínima caiu para 2 graus em Pokrovsk, mas o martelo do Exército Vermelho continua demolindo aos poucos as defesas da Ucrânia na cidade estratégica do front central da guerra.

Como os avanços diários são pequenos, muitas vezes parecem imperceptíveis. Porém, tomados dentro de um espaço temporal, demonstram que os russos tem grande experiência em guerrear no frio, flexibilidade tática, determinação para combate homem a homem e superioridade numérica e de equipamento.

O espantoso no conflito é que a Ucrânia resistiu tão bem, embora desde o início tenha contado com trilionária infusão de dinheiro, equipamento, assessoria e informações de satélites da aliança militar do Ocidente, a OTAN.

Sete frentes

Olhando para toda a frente de batalha, há ao menos sete avanços distintos e aparentemente coordenados da Rússia, testando defesas dilapidadas da Ucrânia que dependem acima de tudo do emprego de drones.

Kiev tenta punir Moscou com a destruição da infraestrutura de gás e petróleo da Rússia.

Porém, a bola está totalmente no campo de Vladimir Putin, que tem poucos incentivos para ceder.

O plano de 28 pontos apresentado pela Casa Branca, que vazou, contempla quase todas as demandas de Moscou: eleições em 100 dias na Ucrânia, teto de 600 mil soldados no Exército do país, proibição constitucional de aderir à OTAN, cessão completa das repúblicas de Lugansk, Donetsk e da península da Crimeia e congelamento da frente de batalha nas províncias ucranianas de Kherson e Zaporizhia.

Putin deve obter garantias sobre respeito ao idioma russo na Ucrânia, assim como à igreja Ortodoxa. Porém, o Kremlin acredita que o teto de 600 mil homens para o exército da Ucânia é alto, assim como não aceita o fornecimento ilimitado de armas a Kiev por parte do Ocidente.

Além disso, Moscou rejeita que o dinheiro congelado da Rússia no Ocidente seja utilizado integralmente pelos Estados Unidos na reconstrução da Ucrânia.

Se vencer aqui, a Rússia tem 100 km livres para avançar a Oeste

Tudo ou nada

Conflitos anteriores da Rússia na Geórgia e na Chechênia já demonstraram que o Kremlin não recua diante de táticas de terra arrasada, improvisa em situações de combate urbano homem a homem e persiste em seus objetivos militares mesmo à custa de grandes perdas.

A Ucrânia diz que a Rússia já perdeu 1.168.550 homens na guerra, estatística impossível de confirmar de forma independente.

Depois de ter debilitado as instalações da infraestrutura elétrica da Ucrânia, Moscou aparentemente bombardeou depósitos de suprimentos que podem ser essenciais quando a temperatura desabar.

Analistas ocidentais, mesmo os mais pró-Ucrânia, já admitem que o tempo joga a favor de Vladimir Putin.

A esperança de Zelensky reside na postura agressiva de seus aliados europeus e na esperança de que Donald Trump forneça seus mísseis mais sofisticados, os Tomahawk, para forçar Putin a fazer concessões, o que parece cada vez mais improvável.

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