O novo cenário internacional, descrito oficialmente pelo governo brasileiro no Decreto nº 12.725/2025 — que aprova a Política Nacional de Defesa (PND), a Estratégia Nacional de Defesa (END) e o Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) — é marcado pela transição para uma ordem multipolar. Nesse contexto, o Brasil vê os BRICS como uma plataforma estratégica para sua projeção global e para a construção de uma política de defesa alinhada à autonomia, ao desenvolvimento tecnológico e à redução de vulnerabilidades externas.
A PND afirma que, após o fim da Guerra Fria, “a unipolaridade cedeu, progressivamente, lugar à formação de novos centros de dinamismo econômico, político e militar.
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Essa mudança cria espaço para países emergentes, e o documento é explícito ao situar o Brasil nesse grupo. Segundo o texto, “na nova era da multipolaridade, os países emergentes têm desempenhado papel significativo”
É nesse ponto que os BRICS ganham centralidade. O decreto destaca que “a formação de grupos como o Grupo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — BRICS — amplia as oportunidades de cooperação internacional em benefício do Brasil”.
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Os BRICS, além de terem incluído novos membros desde 2023 (como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã), são apresentados como um arranjo capaz de reforçar a democratização da governança global.
Segundo o Livro Branco, o bloco “constitui plataforma estratégica para promover a cooperação entre países emergentes e um comércio global mais justo”.
A visão militar brasileira dentro da multipolaridade está ancorada na ideia de autonomia estratégica. O Livro Branco afirma que o cenário atual exige “capacidade de dissuasão” e condições para exercer plenamente a soberania, especialmente quando “o sistema internacional contemporâneo apresenta uma arquitetura caracterizada por tendências à multipolaridade e pela assimetria entre os Estados, em razão de distorções e deficiências de governança global".
A PND também destaca a importância da “diversificação de parcerias externas” como forma de reduzir riscos de dependência no setor de defesa.
O LBDN enfatiza que o Brasil, mesmo se situando “relativamente afastado das principais áreas de tensão global”, está sujeito aos efeitos da competição entre grandes potências e precisa se manter “permanentemente preparado para inibir ou repelir ameaças à sua soberania.
Por fim, o Livro Branco ressalta que a participação do Brasil em operações de paz e cooperação militar internacional reforça sua posição global. O país, diz o texto, busca “maior inserção internacional [...] e a elevação de seu perfil geopolítico” por meio das missões da ONU.