O Observatório Subterrâneo de Neutrinos de Jiangmen (JUNO), o “detector de partículas fantasmas“, na China, registrou seu primeiro resultado científico relevante meses após entrar em operação.
O equipamento confirmou a existência da chamada “tensão dos neutrinos solares”, uma discrepância detectada ao comparar medidas obtidas a partir do Sol e de usinas nucleares.
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A constatação foi possível graças à precisão do detector, que passou mais de dez anos em construção. Localizado 700 metros abaixo da superfície, na província de Guangdong, o experimento foi projetado para reduzir interferências externas e captar sinais extremamente fracos produzidos pelas partíuclas
Os dados analisados correspondem ao período de 26 de agosto a 2 de novembro deste ano. A precisão obtida permitiu confirmar que a discrepância observada não é resultado de erro experimental, mas sim um fenômeno físico real.
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O detector principal do JUNO utiliza 20 mil toneladas de líquido armazenadas em uma esfera de acrílico, cercada por sensores responsáveis por registrar minúsculos pulsos luminosos gerados quando neutrinos interagem com o material interno.
“Alcançar esse nível de precisão em apenas dois meses de operação demonstra que o JUNO está desempenhando exatamente como projetado”, afirmou Wang Yifang, gerente e porta-voz do projeto, à CGTN.
Com o desempenho verificado, a instalação está preparada para avançar na investigação de um dos principais temas em aberto na física de partículas: a hierarquia das massas dos neutrinos, que busca identificar qual tipo é o mais pesado. Wang declarou ainda que, com a sensibilidade atual, o observatório poderá determinar essa hierarquia, examinar o modelo de três tipos de neutrinos e buscar indícios de fenômenos além do arcabouço teórico vigente.
O JUNO é coordenado pelo Instituto de Física de Altas Energias da Academia Chinesa de Ciências e reúne mais de 700 pesquisadores de 17 países.
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