TENSÃO

Maduro: 82% dos venezuelanos estão armados para guerra

Novos indícios de que os EUA preparam ação militar contra Caracas

Resistência.Maduro prometeu resistir em caso de ataque dos Estados Unidos.Créditos: Governo da Venezuela
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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse em discurso que 82% dos venezuelanos estão armados para guerrear contra os Estados Unidos.

Em números, isso resulta em mais de 20 milhões de pessoas.

Há alguns dias, Maduro assinou um decreto integrando as milícias populares à estrutura das Forças Armadas.

O governo Trump mobilizou a maior força militar no Caribe dos últimos 30 anos. Reforçou e implantou novas estruturas militares em Porto Rico, nas ilhas Virgens estadunidenses e usa o porto de Trinidade & Tobago, o que em tese permitiria rápido controle sobre a faixa do Orinoco, onde ficam as maiores reservas de petróleo do mundo.

A capital de Trinidade, Porto de Espanha, fica a apenas 11 quilômetros do território venezuelano.

Até agora, Donald Trump jamais admitiu publicamente que pretende atacar a Venezuela. Ele alega que a mobilização militar é para evitar a entrada de drogas e fentanil nos Estados Unidos.

Sob o pretexto falso de que Maduro lidera uma organização criminosa, o Cartel dos Sóis, Trump já disse que os dias de Maduro no poder estão contados.

O presidente venezuelano teria proposto negociações com a Casa Branca em torno das reservas de petróleo da Venezuela. Hoje, a China compra 80% do petróleo exportado por Caracas.

Oposição à la Eduardo Bolsonaro oferece tudo

O problema para Maduro é que a oposição a ele, liderada por Maria Corina Machado, já prometeu entregar todos os recursos do país aos Estados Unidos.

Numa entrevista ao podcast de um dos filhos de Donald Trump, Corina disse que os EUA ganhariam mais na Venezuela do que em sua parceria com a Arábia Saudita.

Durante a entrevista, os olhos de Donald Trump Jr. brilharam. Ele e o irmão Eric são os responsáveis por tocar os negócios da família enquanto o pai ocupa a Casa Branca.

Além de deslocar o porta-aviões USS Gerald R. Ford para a região, os EUA foram autorizados a utilizar os aeroportos da República Dominicana, supostamente para combater o tráfico.

Trata-se de um sinal alarmante para Caracas, uma vez que a distância entre Santo Domingo e o lago Maracaibo, outra região de produção petrolífera da Venezuela, é de menos de mil quilômetros.

Em uma cerimônia para comemorar a aviação, vestindo farda e um quepe vermelho, Maduro disse aos aviadores que:

Permanecessem sempre firmes em sua compostura, alertas, prontos e dispostos a defender nossos direitos como Nação, como uma pátria livre e soberana, e eu sei que vocês nunca falharão com a Venezuela, eu sei que a Venezuela pode contar com vocês.

A oposição trabalha com um racha que leve militares a golpear Maduro.

O presidente da Venezuela, por sua vez, fala em paz mas sugere que os Estados Unidos sofreriam grandes baixas em eventual invasão militar, mencionando que distribuiu 5 mil lançadores de mísseis anti-aéreos de ombro, de fabricação russa, pelo país.

As diplomacias da Rússia e da China tem atuado para. condenar Washington, mas em caso de ataque tudo indica que nada poderiam fazer.

Os morros de Caracas e a região amazônica da Venezuela, na fronteira com o Brasil, são geograficamente ideais para uma guerra de guerrilha.

Não há dúvida, no entanto, de que em caso de guerra os Estados Unidos rapidamente conquistariam soberania aérea na região, tamanha a mobilização de seus drones, caças e bombardeiros mais sofisticados.

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