O governo venezuelano divulgou neste sábado (29) uma dura nota de repúdio após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que o espaço aéreo da Venezuela está “totalmente fechado” para aeronaves civis e alertar “traficantes de drogas e de pessoas”.
Em publicação na rede Truth Social, Trump escreveu: “A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor, considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela totalmente fechado”.
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Horas depois, Caracas classificou a declaração como uma agressão imperialista sem precedentes.
“A República Bolivariana da Venezuela repudia veementemente a mensagem pública divulgada hoje [sábado] nas redes sociais pelo presidente dos Estados Unidos, na qual ele tenta aplicar extraterritorialmente a jurisdição ilegítima dos Estados Unidos na Venezuela, ao tentar, sem precedentes, emitir ordens e ameaçar a soberania do espaço aéreo nacional, a integridade territorial, a segurança aeronáutica e a plena soberania do Estado venezuelano”, afirma o comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela.
A medida de Trump ocorre em meio ao aumento da presença militar norte-americana na região. Desde 13 de novembro, os EUA conduziram a operação Lança do Sul, que já incluiu o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford (o maior do mundo), de um submarino nuclear, caças F-35 e navios de guerra para águas do Caribe e do Caribe e do Pacífico próximas à Venezuela.
Nos últimos meses, o Pentágono informou ter realizado 22 ataques contra embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico, embora não tenha apresentado provas públicas que conectem essas embarcações ao governo venezuelano.
A escalada também tem como pano de fundo a decisão da administração Trump, em julho deste ano, de classificar o chamado Cartel de Los Soles, que Washington acusa Nicolás Maduro de liderar, como “organização terrorista internacional”, abrindo caminho legal para ações militares diretas sob a justificativa do combate ao “narcoterrorismo”.
Na quinta-feira (27), o próprio Trump já havia mencionado a possibilidade de operações terrestres na Venezuela “em um futuro muito próximo” como parte da mesma campanha antidrogas.
Fuzileiros navais americanos baseados em países da região têm realizado exercícios que incluem infiltração, desembarque anfíbio, guerra na selva e operações aéreas, segundo imagens e comunicados divulgados pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM).
A troca de ameaças entre Washington e Caracas eleva a tensão na América Latina, enquanto governos e organismos internacionais acompanham com preocupação o risco de um confronto direto.