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Putin adoça a boca de Trump com Black Friday de gás estratégico

União Europeia tenta sabotar projeto de investimentos bilionários na Rússia

Círculo Ártico.Um doador de Trump está pronto para investir no Ártico, em parceria com a Rússia. O aquecimento global facilita a navegação na região.Créditos: Reprodução de vídeo
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Uma reportagem investigativa do diário econômico Wall Street Journal sustenta que empresários russos ligados a Vladimir Putin tiveram contato com empresários estadunidenses fazendo ofertas lucrativas para a exploração de gás, petróleo e minerais raros se houver paz entre Rússia e Ucrânia.

"Faça dinheiro, não guerra", é parte da manchete.

Os minerais raros se encontram, inclusive, em território da Ucrânia anexado pela Rússia.

Embora as ofertas não façam parte de um projeto específico, de acordo com o diário Putin estaria disposto a permitir que os EUA utilizem os U$ 300 bilhões russos congelados no Exterior em projetos de reconstrução da Ucrânia.

Com isso, empresários aliados de Donald Trump ganhariam duplamente: tendo acesso a negócios lucrativos na Rússia e na Ucrânia.

Plano atende a Moscou

Donald Trump endossou um plano de 28 pontos que concede à Rússia praticamente tudo o que era desejado por Vladimir Putin.

O Exército da Ucrânia ficaria limitado a 600 mil homens, o país não entraria na aliança militar do Ocidente e aceitaria o controle da Rússia sobre a Crimeia e as repúblicas de Donetsk e Lugansk.

A frente de batalha seria congelada nas províncias ucranianas de Kherson e Zaporizhia.

O plano de 28 pontos foi reescrito por aliados europeus da Ucrânia e está sendo negociado separadamente entre Washington, Kiev e Moscou.

Enquanto isso, tropas russas continuam avançando lentamente e já tem controle da maior parte da cidade estratégica de Pokrovsk.

Putin não aceita fazer qualquer concessão territorial, alegando que a Rússia eventualmente ocupará todo o território que deseja.

Segundo o Wall Street Journal, as ofertas feitas por empresários russos a seus colegas estadunidenses são bilionárias.

Gás na Sibéria e no Ártico

Por exemplo, a Rússia traria sócios estadunidenses para explorar as gigantescas reservas de gás no mar de Okhotsk, próximo ao Alasca.

Além disso, aliados de Trump poderiam participar da exploração do campo de gás LNG-2, no círculo Ártico, com capacidade para produzir 20 milhões de toneladas de GLP anuais.

O projeto é tocado por uma empresa russa em parceria com sócios da França, China e Japão, mas passou a enfrentar dificuldades por conta das sanções impostas à Rússia pelos Estados Unidos.

O gás russo em dois projetos no Ártico tem o potencial de abastecer toda a Europa e a China.

Um amigo e doador de campanha de Trump, Gentry Beach, teria interesse específico em investir neste projeto.

A jogada de Trump chuta para escanteio os interesses econômicos europeus tanto na Rússia quanto na Ucrânia.

Por isso a União Europeia em geral, mas a Alemanha em particular, tem criado dificuldades para uma saída negociada da guerra.

Um chute no traseiro da UE

Depois que a Alemanha foi reunificada, o país assumiu a liderança econômica da União Europeia e ganhou acesso à mão de obra barata do Leste europeu.

Os alemães tiraram grande proveito da energia barata da Rússia.

Com a sabotagem contra o gasoduto Nord Stream, projeto desenvolvido para levar gás barato da Rússia à Europa, as relações econômicas entre as duas partes ficaram profundamente comprometidas.

Donald Trump assumiu o poder prometendo transformar os Estados Unidos na maior potência energética do planeta.

Se ele emplacar uma parceria econômica com a Rússia em condições vantajosas, contribuirá para enfraquecer a UE.

Vladimir Putin, a acreditar no Wall Street Journal, está disposto a promover um "black friday" limitado de recursos energéticos e minerais para adoçar o paladar de Trump e os oligarcas que o cercam.

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