O anúncio de que o presidente Donald Trump pretende perdoar o ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, conhecido como JOH, caiu como uma bomba entre autoridades que combatem o tráfico de drogas nos Estados Unidos.
A decisão de Trump contraria completamente sua política de supostamente combater o tráfico com a maior força militar já deslocada para o Caribe nos últimos 30 anos.
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"Como ex-presidente de Honduras por dois mandatos, Juan Orlando Hernández teve todas as oportunidades para promover mudanças positivas em seu país. Em vez disso, Hernández ajudou a facilitar a importação de uma quantidade quase inimaginável de 400 toneladas de cocaína para este país: bilhões de doses individuais enviadas aos Estados Unidos com a proteção e o apoio do ex-presidente de Honduras. Agora, após anos de narcotráfico destrutivo da mais alta magnitude imaginável, Hernández passará 45 anos onde deveria estar: em uma prisão federal", disse à época da condenação o procurador-geral estadunidense Merrick B. Garland.
Trump alega que o processo foi politicamente motivado, mas na verdade protege o grupo político de JOH, cujo candidato, Tony Asfura, saiu na frente na apuração das eleições presidenciais de domingo, 30, em Honduras. Os resultados já estão sendo contestados pela candidata governista Rixi Moncada.
A atual presidenta de Honduras, Xiomara Castro, é uma das poucas apoiadoras de Nicolás Maduro na América Central.
Interferência direta
O ocupante da Casa Branca pediu votos em Asfura e condicionou ajuda dos EUA a Honduras à vitória da oposição de direita.
A decisão de Trump desmoraliza a DEA, agência antidroga dos Estados Unidos, encarregada da investigação que levou JOH à cadeia.
De acordo com a agência, JOH comandou uma gangue que usava fuzis AR-15, AK-47 e lançadores de granadas para transportar cocaína para os Estados Unidos.
Junto com JOH, que também foi presidente do Parlamento de Honduras, foram condenados seu irmão, Tony Hernandez, seu primo Maurício, ex-integrante da Polícia Nacional de Honduras; o traficante Geovanny Fuentes Ramirez e Juan Carlos Bonilla Valladares, de alcunha O Tigre, ex-chefe da Polícia Nacional.
O irmão do ex-presidente pegou prisão perpétua e os ex-integrantes da Polícia Nacional confessaram participação na quadrilha.
De acordo com a acusação, que o júri aceitou por unanimidade:
Durante seu mandato, Hernández promoveu publicamente a legislação e os esforços que alegava empreender em apoio às medidas de combate ao narcotráfico em Honduras. Ao mesmo tempo, protegia e enriquecia os narcotraficantes de seu círculo íntimo e aqueles que lhe forneciam subornos alimentados por cocaína, o que lhe permitia obter e manter o poder em Honduras. Por exemplo, Hernández apoiava seletivamente as extradições, defendendo e atribuindo a si mesmo o mérito pelas extradições para os Estados Unidos de certos narcotraficantes que ameaçavam sua permanência no poder, enquanto, simultaneamente, prometia aos narcotraficantes que o subornavam e seguiam suas instruções que permaneceriam seguros em Honduras.