Vladimir Putin vestiu traje militar completo para receber de subordinados a informação de que a Rússia conquistou a cidade-chave de Pokrovsk, que os russos chamam de Krasnoarmeysk.
A notícia é tão importante que foi negada pela Ucrânia. Porta-vozes de Kiev disseram que soldados russos posaram para fotos e imagens em um distrito da cidade, mas depois foram embora.
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O Ministério da Defesa da Rússia divulgou imagens de soldados russos caminhando pelas ruas de Pokrovsk, aparentemente sem resistência.
O mapa do DeepState, um respeitado site que monitora a guerra sem se render à propaganda, mostra a Rússia controlando dois pontos da estrada que atravessa Pokrovsk e era utilizada para levar suprimentos a tropas ucranianas que ficaram presas em um bolsão.
Com a queda de Pokrovsk, os russos teriam caminho praticamente livre para avançar em direção ao rio Dniepre, salvo uma reorganização rápida da defesa ucraniana.
Putin fez a encenação um dia antes de receber em Moscou, pela sexta vez, o enviado de Donald Trump, Steve Witkoff. Desta vez ele veio acompanhando pelo genro de Trump, Jared Kushner, um assessor de confiança para assuntos internacionais.
O presidente russo tem se mostrado irredutível quando se trata de fazer concessões territoriais à Ucrânia.
Desafio à Europa
No plano de 28 pontos que vazou, aparentemente elaborado na Casa Branca, a Rússia fica com a Crimeia e as repúblicas de Lugansk e Donetsk, além de ter o congelamento da frente de batalha nas províncias de Kherson e Zaporijia. Pelo plano, a Ucrânia faria eleições em 100 dias, teria um limite de 600 mil soldados em seu Exército e inscreveria na Constituição sua não adesão à OTAN, a aliança militar do Ocidente.
Aliados europeus do presidente Volodymyr Zelensky tentaram reescrever o plano, endurecendo a posição da Ucrânia. Zelensky jamais aceitou fazer concessões territoriais.
Putin está tão certo de uma vitória militar na Ucrânia que disse nas últimas horas que a Rússia não quer guerra com a Europa, mas está preparada para enfrentá-la.
Em Kiev, o ex-ministro das Relações Exteriores do país, Dmitry Kuleba, disse que a Ucrânia deveria aceitar uma derrota tática desde que assegurasse uma "vitória estratégica", ou seja, garantisse o futuro independente do território que lhe resta.
Estamos numa situação em que a Rússia tem a capacidade de nos destruir, e não somos suficientemente fortes para nos proteger.
Ele se refere ao fato de que faltam soldados à Ucrânia, enquanto a Rússia dispõe de um vasto arsenal para debilitar a infraestrutura elétrica, industrial e militar do inimigo.
A Ucrânia tem usado armas do arsenal mais avançado do Ocidente para atacar a infraestrutura de gás e petróleo da Rússia, mas sem um impacto que reverta o resultado em solo.
Kuleba disse que a Ucrânia tem capacidade para prolongar a guerra por muitos anos, nada mais que isso. Por isso, deveria "aceitar o acordo que ninguém quer".