FERNANDO HADDAD

Haddad diz que Lula conversou com Trump sobre tráfico de armas e drogas

Ministro disse ainda que os fundos em Delaware camuflam capital ilícito como investimento externo e criticou a falta de controle na saída de armas norte-americanas para o Brasil

O ministro da Fazenda Fernando Haddad.Créditos: Diogo Zacarias/MF
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram sobre as questões que ligam o tráfico de armas e drogas entre os países. Além disso, também disse que o governo brasileiro mapeou conexões entre o crime organizado brasileiro com os Estados Unidos, e reforçou a cobrança do Brasil na cooperação entre os países no combate à lavagem de dinheiro por fundos sediados em Delaware e a entrada de armas norte-americanas que abastecem facções em território nacional.

Ao todo, 15 fundos registrados no estado de Delaware (EUA), conhecido internacionalmente por sua legislação societária permissiva e baixa transparência fiscal, têm sido usados para transformar recursos do crime organizado em supostos “investimentos estrangeiros diretos” no Brasil, segundo investigação da Receita Federal. 

“O crime organizado está usando um país que tem relação diplomática conosco há mais de 12 anos para lavagem de dinheiro”, disse Haddad. “Sem a cooperação do governo dos Estados Unidos, essa atividade é impossível”, continuou.

O ministro destacou que parte do dinheiro do tráfico, da exploração ilegal e de outras atividades ilícitas é enviada aos EUA, onde é incorporada a fundos ou empresas de fachada e, posteriormente, retorna ao Brasil como recurso “legalizado” para aquisição de bens, empresas e propriedades.

Armas dos EUA entrando no Brasil sem controle

Outro ponto de preocupação levantado por Haddad é a entrada de armas fabricadas nos EUA, muitas vezes sem passar por procedimentos de inspeção adequados. O ministro citou falhas no controle aduaneiro norte-americano, especialmente a ausência de escaneamento sistemático de contêineres — procedimento obrigatório no Brasil e que permite identificar mercadorias irregulares.

“Armas americanas estão chegando ao território nacional por portos brasileiros, por terra, por meio de outros países. E essas armas estão abastecendo o crime organizado nas comunidades”, afirmou.

O ministro comparou a cobrança brasileira à demanda que países estrangeiros fazem ao Brasil no combate ao tráfico de drogas, dizendo esperar a mesma reciprocidade: “Da mesma maneira que, legitimamente, todos os países cobram do Brasil esforços contra drogas, esperamos o mesmo empenho para evitar que essas armas cheguem ao Brasil”, disse.

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