A base política do MAGA está em convulsão depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, supostamente a partir de uma investigação do FBI, arquivou o caso de Jeffrey Epstein -- considerando que ele de fato cometeu suicídio quando preso em Nova York, não tinha uma lista de clientes e nem chantageou autoridades.
De acordo com o diário britânico Daily Mail, que acompanhou de perto todo o escândalo, a única pessoa punida até hoje, Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de 20 anos por tráfico de menores, está disposta a testemunhar diante do Congresso dos Estados Unidos sobre a clientela de seu ex-companheiro Jeffrey Epstein.
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Ela estaria em busca de um perdão do presidente Donald Trump, enquanto apela à Suprema Corte para anular sua sentença.
Ao longo da campanha eleitoral, apoiadores do movimento Make America Great Again (MAGA) foram os grande disseminadores da teoria segundo a qual Epstein era agente do Mossad e usou menores de idade com o objetivo de extorquir autoridades.
Kash Patel, atual diretor do FBI, chegou a sugerir que Bill Gates estava na lista de clientes de Epstein. Pam Bondi, procuradora-geral dos Estados Unidos, recebeu influencers do MAGA na Casa Branca para compartilhar detalhes do que seriam os "arquivos de Epstein" depois da posse de Trump.
Repentinamente, porém, ambos mudaram de posição e ficaram sob fogo de colegas e de importantes apoiadores de Donald Trump, como o jornalista Tucker Carlson.
O lobby do Likud
Carlson, em recente aparição pública, acusou o governo de encobrir o caso para favorecer o partido Likud, de Israel. Ele reafirmou sua crença de que Epstein agia em nome do Mossad e recrutava menores justamente para comprometer lideranças importantes, como foi o caso do príncipe Andrew, da realeza britânica.
O ex-presidente Bill Clinton também teria sido alvo, sempre de acordo com Tucker e aliados.
Quando rompeu com Donald Trump, o bilionário Elon Musk acusou o presidente de constar nos "arquivos". Depois, apagou a postagem. Mais recentemente, Musk voltou a provocar: se não existe lista de clientes de Epstein, por que Ghislaine está presa?, perguntou.
O documento do Departamento de Justiça que praticamente arquiva qualquer nova investigação sustenta que imagens da cela onde Jeffrey Epstein teria cometido suicídio demonstram que ninguém entrou nela antes da morte do financista.
Tucker Carlson e outros dizem que as imagens estão incompletas. Carlson foi convencido de que Jeffrey não cometeu suicídio pelo irmão dele, Mark Epstein.
Relação com Maxwell e Barak
A teoria de que o Mossad estava por trás das operações de Jeffrey Epstein se baseia no fato de que ele tornou-se milionário apesar de não ter experiência no mercado financeiro; pela proximidade que tinha com o barão da mídia britânico Ian Robert Maxwell, nascido Ján Ludvík Hyman Binyamin Hoch; e com o ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak.
Epstein viveu com Ghislaine, a filha de Maxwell. Com históricas ligações com o estado de Israel, Maxwell também morreu em circunstâncias misteriosas depois de supostamente cair de seu iate Lady Gislaine, nas proximidades das ilhas Canárias, em 1991.
Tucker Carlson sustenta que Epstein ficou milionário lavando dinheiro, a ponto de ser dono do maior apartamento de Manhattan, de emprestar seu jatinho a autoridades e de ter uma ilha só sua nas ilhas Virgens estadunidenses, para onde levava convidados.
Ehud Barak foi general em Israel e comandou o serviço de inteligência militar do país. Depois que deixou o cargo de primeiro-ministro, recebeu apoio financeiro de Epstein nos Estados Unidos.
Israel em primeiro
As críticas políticas a Donald Trump se concentram no fato de que ele se elegeu prometendo "colocar os Estados Unidos em primeiro lugar".
No entanto, ele aderiu ao ataque de Israel ao Irã e já se encontrou com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu três vezes desde que tomou posse.
Tucker Carlson pertence à ala isolacionista do Partido Republicano, que diz que enquanto os estadunidenses enfrentam dificuldades financeiras para pagar as contas o país torra bilhões em aventuras militares na Ucrânia e no Oriente Médio.
Ele e vários outros comentaristas da base trumpista dizem que a política externa de Washington é guiada pelo lobby do Likud, o partido de Netanyahu, nos Estados Unidos.
É público que o AIPAC -- American Israel Public Affairs Committee -- financia campanhas de políticos pró-Israel nos Estados Unidos e tem feito lobby para que estados aprovem legislação punindo críticas a Israel ou ao sionismo como "antissemitas".
Tucker Carlson e aliados dizem que isso viola a liberdade de expressão de estadunidenses.
No final de semana, depois da tempestade de críticas internas, Trump defendeu subordinados no governo e disse que seus apoiadores deveriam se preocupar com os escândalos envolvendo a oposição democrata.
Para ele, o caso Epstein agora não passa de "teoria da conspiração".