O presidente Lula (PT) concedeu uma entrevista nesta quinta-feira (17) para a jornalista Christiane Amanpour, uma das principais âncoras da CNN americana. A pauta da conversa foi o tarifaço de Trump.
Em determinado momento da entrevista, o presidente Lula afirmou que não admite que um presidente estrangeiro queira determinar como as instituições brasileiras devam se comportar e o classificou de imperador. "Ele foi eleito para governar os EUA e não para ser o imperador do mundo", disparou Lula.
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A declaração de Lula chegou rapidamente à Casa Branca e foi respondida pela porta-voz do governo de Trump, Karoline Leavitt, que costuma ser assertiva durante as suas respostas nas coletivas de imprensa, mas desta vez adotou um tom ameno.
"O presidente certamente não está tentando ser o imperador do mundo. Ele é um presidente forte dos Estados Unidos da América e também é o líder do mundo livre. E vimos uma grande mudança em todo o globo por causa da liderança firme deste presidente", disse Leavitt.
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A porta-voz da Casa Branca também citou a investigação contra práticas comerciais do Brasil, que são entendidas como "desleais" pelo governo americano, com destaque para aquilo que ela chamou de "fraca proteção à propriedade intelectual" e que isso prejudica as empresas de tecnologia.
"Além disso, a tolerância do país com o desmatamento ilegal e outras práticas ambientais coloca os produtores, fabricantes, agricultores e pecuaristas americanos - que seguem padrões ambientais melhores - em desvantagem competitiva", disse.
Lula dobra aposta e manda recado para Trump durante entrevista à CNN americana
O presidente Lula (PT) deu uma entrevista nesta quinta-feira (17) para a jornalista Christiane Amanpour, da CNN americana, onde falou sobre a guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Em determinado momento, ao comentar sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro - que tem sido classificado por Trump como "caça às bruxas" - Lula afirmou que, se Trump estivesse no Brasil, ele também seria julgado pela invasão do Capitólio.
"Eu gostaria de dizer algo ao povo americano: se Trump fosse brasileiro e se ele fizesse o que aconteceu no Capitólio, ele também estaria em julgamento no Brasil [...] ele teria violado a Constituição e, de acordo com a Justiça, ele também poderia ser preso se ele tivesse feito isso [invadir o Capitólio] no Brasil", declarou Lula.
Negociação
O presidente Lula também destacou que Trump "foi eleito para governar os EUA e não para ser o imperador do mundo", pois, no caso brasileiro, as sanções econômicas, para não acontecerem, estão relacionadas a questões jurídicas (caso Jair Bolsonaro) e financeiras (Pix).
"Seria muito melhor estabelecer uma negociação primeiro e depois chegar a um possível acordo, porque somos dois países com quem tivemos reuniões muito boas e temos boas relações há 200 anos. E então ele está rompendo com qualquer protocolo, qualquer liturgia que deva existir nas relações entre dois chefes de Estado. Foi muito desagradável", acrescentou.
Posteriormente, Lula afirmou que o Brasil vai insistir na negociação até o último momento para reverter as tarifas de 50% aos produtos brasileiros exportados aos EUA, que foram anunciadas por Trump na semana passada.
"O que eu tenho dito é que usaremos todas as palavras que existem no dicionário para tentar negociar [...] posso garantir que o Brasil, no momento certo, dará a resposta certa à carta do presidente", disse.