O novo embate da gestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é com um desenho animado que costuma satirizar celebridades com um humor tradicionalmente ácido. Na estreia da 27ª temporada da série, o episódio mostra o mandatário em diversas cenas constrangedoras, como uma em que o republicano aparece na cama com Satanás.
Diferentemente dos outros personagens, Trump é retratado usando uma foto real de seu rosto sobreposta a um corpo animado. Seus genitais podem ser vistos cinco vezes ao longo do episódio, segundo a Euronews.
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Depois da exibição, na noite da quarta-feira (24), a Casa Branca respondeu à forma como o presidente dos EUA foi retratado.
"Este programa não é relevante há mais de 20 anos e está pendurado por um fio com ideias sem inspiração, numa tentativa desesperada de chamar a atenção", disse a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers. "O presidente Trump cumpriu mais promessas em apenas seis meses do que qualquer outro presidente na história do nosso país — e nenhum programa de quarta categoria pode atrapalhar a boa fase do presidente Trump."
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A 'réplica' de um dos criadores de South Park
Na Comic-Con International de San Diego, nos Estados Unidos, o cocriador de South Park, Trey Parker, deu uma resposta curta na quinta-feira (25) às declarações da Casa Branca sobre a estreia da última temporada. "Sentimos muito", afirmou Parker, seguido por uma expressão impassível.
O episódio também não poupou críticas à Paramount Global, com quem os criadores da série assinaram um contrato de US$ 1,5 bilhão por cinco anos para a produção de 50 novos episódios, além dos direitos de streaming das temporadas anteriores.
No enredo, Trump entra com um processo contra a cidade de South Park após os moradores questionarem a presença literal de Jesus Cristo na escola primária local. Em resposta, Jesus adverte os habitantes: "Vocês viram o que aconteceu com a CBS? É, bom, adivinhem quem é o dono da CBS? A Paramount. Vocês querem mesmo acabar como o Colbert?".
A fala remete ao recente cancelamento do The Late Show, apresentado por Stephen Colbert, poucos dias depois de o apresentador satirizar o acordo entre a Paramount e Trump, relacionado a um processo movido por Trump sobre uma entrevista da então vice-presidenta e candidata presidencial Kamala Harris, exibida no programa 60 Minutes. Executivos da CBS e da Paramount alegaram que o encerramento do programa teve “motivos exclusivamente financeiros”.
Negócios da Paramount
O episódio que irritou a Casa Branca vem em um momento no qual a Paramount se prepara para se fundir com a empresa de mídia Skydance, um negócio estimado em US$ 8 bilhões.
A aprovação da fusão pela Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês) foi oficializada na noite de quinta-feira. Muitos associaram o acordo judicial com Trump e o cancelamento do The Late Show à aprovação da negociação.
“Acolho com satisfação o compromisso da Skydance em promover mudanças significativas na outrora histórica emissora CBS ”, disse o presidente da FCC, Brendan Carr, autor do capítulo do Projeto 2025 sobre a agência de telecomunicações, em um comunicado na quinta-feira. “A decisão de hoje também marca mais um passo à frente nos esforços da FCC para eliminar formas odiosas de DEI”, fazendo referência a políticas de diversidade e inclusão postas em prática por empresas estadunidenses.