De acordo com dados do Statista, o mercado de carros de passeio vendidos no Nepal — considerado um dos países menos desenvolvidos da sua região, na Ásia Meridional, e o 145º lugar do mundo em IDH — tem observado uma recente alta na demanda por modelos elétricos, sobretudo de origem chinesa.
O relatório Global EV Outlook 2025, desenvolvido pelo Clean Energy Ministerial, da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), aponta que pelo menos 76% de todos os carros novos vendidos no Nepal nos últimos 12 meses são veículos elétricos (EVs), que já lotam as ruas estreitas da capital e maior cidade do país, Kathmandu.
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Metade das vendas de veículos comerciais leves do Nepal também é de EVs. Há seis anos, o número tendia a zero. De acordo com The New York Times, a cidade e as rodovias nepalesas estão repletas de postos de carregamento, que já se tornam pontos de descanso para motoristas.
Subsídios governamentais impulsionam "eletrificação" no Nepal
O que mudou essa realidade, segundo o Times — e fez com que o Nepal se posicionasse à frente de países mais desenvolvidos na adoção dos elétricos (como Noruega e Singapura), e até da média global (que é de cerca de 20%) — foi o avanço de políticas governamentais de subsídio à adoção dos elétricos.
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As políticas souberam aproveitar o imenso potencial energético do país, que, situado entre China e Índia, na região himalaia, não possui grandes reservas de petróleo, gás natural ou carvão, mas é considerado a “torre de água do sul asiático”, com inúmeros cursos de rios e produção potencial hidrelétrica estimada em cerca de 83.000 megawatts (que também exporta para seus vizinhos).
Em 2015, além disso, um conflito fronteiriço com a Índia reduziu drasticamente as importações de petróleo do país; desde então, o Nepal aumentou o investimento governamental em projetos hidrelétricos e expandiu sua rede de fornecimento.
Outro investimento foi a adoção de uma política de barateamento da importação de EVs, com a redução das taxas combinadas de importação num valor que pode chegar a 40% desde 2021. Carros movidos à combustão, por outro lado, tiveram seus encargos aumentados, com tarifas que podem chegar a 180% do valor total dos veículos.
No orçamento de 2025, o governo manteve a estrutura tributária para os EVs, e a agência de energia do Nepal construiu mais de 60 estações de recarga entre a capital, Kathmandu, e as rodovias circundantes, oferecendo, além disso, tarifas elétricas subsidiadas para abastecer os veículos. Quem investe em estações de recarga no país pode receber transformadores gratuitos do governo para incentivar a expansão da rede.
Créditos: divulgação
"Isso tornou o abastecimento de um carro elétrico até 15 vezes mais barato do que de um carro movido a combustíveis fósseis", diz o Times, o que fez com que estabelecimentos locais, mesmo os mais comuns (como lojas e hotéis), passasse a instalar suas próprias estações, que já somam mais de 1.200.
Apesar do avanço no que se refere aos carros de uso particular, no entanto, o país continua a enfrentar o desafio dos fósseis nos veículos de transporte público, que respondem por cerca de 25% da poluição do ar respirável: a maioria da população que não tem carro próprio continua a depender de ônibus e motos (além de táxis tradicionais) movidos a combustível, e a eletrificação do transporte público ainda representa um gasto considerável para os governos locais.
Algumas iniciativas, como a da cooperativa nepalesa de transporte público Sajha Yatayat, já oferecem ônibus, micro-ônibus e centenas de táxis elétricos em algumas rotas do país, mas é necessário mais investimento na área.
O governo nepalês estipulou que, até 2030, pelo menos 90% dos veículos novos de uso privado comercializados no país sejam elétricos. A taxa para os veículos de quatro rodas destinados ao transporte público, por sua vez, deve aumentar, segundo a estimativa, para 60%.
A adoção rápida de EVs reduz custos operacionais em até 10 vezes se comparados a veículos à combustão, mesmo em países com renda per capita muito baixa, dizem especialistas.
No Nepal, assim como em grande parte dos países do Leste Asiático, a maioria dos modelos elétricos vem do mercado chinês. Os modelos de marcas chinesas (sobretudo a BYD) entram no mercado com valores mais acessíveis, e já dominam as vendas: entre 2023 e 2024, de acordo com dados da autoridade de alfândega nepalesa, dos 11.701 veículos de quatro rodas elétricos importados pelo país, 8.065 deles eram chineses.
"De uma perspectiva internacional", afirma o Statista, "é evidente que a China deve gerar a maior receita [de veículos elétricos], com projeção de US$ 822 bilhões em 2025".