91% dos chilenos consideram previdência dos sonhos de Paulo Guedes o pior problema do país

Pesquisa divulgada neste domingo (3) revela ainda que as políticas de saúde e educação são reprovadas pela população do Chile, que vive um levante contra o sistema neoliberal imposto ao país

Direto do Chile, especial para a Fórum

O instituto de pesquisas chileno Termômetro Social publicou neste domingo (3) uma pesquisa de opinião sobre a crise social e política. Uma das perguntas focou os principais problemas sociais existentes no país, que os neoliberais consideravam, até há pouco, a Suíça da América Latina ou o modelo neoliberal que deu certo.

As entrevistas citavam diferentes aspectos sociais e pedia para estabelecer em uma escala de 1 a 10 o nível de insatisfação com o tema. O que teve o pior resultado foi o sistema previsional chileno, indicado com nível máximo de insatisfação por 91% dos chilenos.

Vale lembrar que o sistema de previdência do Chile foi privatizado nos Anos 80, durante a ditadura de Augusto Pinochet, e passou a ser administrado por empresas do setor financeiro, através de um modelo de capitalização individual. É exatamente esse modelo, que é repudiado pela quase unanimidade dos chilenos, que o ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes pretende impor no Brasil.

Outros aspectos sociais que também desmontam o mito do sucesso socioeconômico do neoliberalismo chilenos: o segundo e terceiro itens que mais tiveram nível máximo de insatisfação foram saúde (89,4%) e educação (85,5%), respectivamente – e em ambos os casos, considerando tanto o acesso quanto a qualidade. A pobreza também foi citada como problema de mais alta prioridade para 81,6%, enquanto o custo de vida teve 79,6% de repúdio total.

Dos 14 aspectos perguntados, apenas um teve menos de 50% de citações, e foi uma má notícia para a extrema direita: a imigração foi citada como problema da mais alta importância para apenas 39,7% dos entrevistados.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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Renato Rovai
Editor da Revista Fórum

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