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01 de agosto de 2019, 08h37

Acordo secreto com Bolsonaro sobre Itaipu gera pedido de impeachment do presidente do Paraguai

Oposição vai pedir o impeachment do presidente Mario Abdo, acusado de "traição à pátria" ao fechar acordo sobre Itaipu que beneficiaria empresa ligada ao clã Bolsonaro

Mario Abdo, presidente do Paraguai, e Bolsonaro (Foto: Allan Santos/PR)

O acordo secreto de renegociação da Usina de Itaipu, assinado entre o governo Jair Bolsonaro e o Paraguai pode levar ao impeachment do presidente do país vizinho, o conservador Mario Abdo Benítez, e de seu vice, Hugo Velázquez. Segundo a imprensa paraguaia, itens do texto foram excluídos como o objetivo de beneficiar empresa ligada ao clã Bolsonaro. O escândalo já derrubou o ministro das Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni, e outras três autoridades do país.

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Partidos de oposição anunciaram nesta quarta-feira (31) que apresentarão um pedido de impeachment contra o presidente e o vice, em meio a uma crise política detonada pela assinatura do acordo energético com o Brasil.

O impeachment de Mario e Velázquez foi levantado pelo Partido Liberal (PLRA), segundo maior da Câmara, e recebeu apoio de setores do Partido Colorado, de Mario, ligados ao ex-presidente Horacio Cartes. A Frente Guasú, do ex-presidente Fernando Lugo, e partidos minoritários na Câmara também apoiam o impedimento.

A justificativa principal é “traição à pátria”.  Efrain Alegre, líder do PLRA e segundo colocado na eleição presidencial de 2018, publicou em seu Twitter que “a alta traição à pátria não merece menos [que um impeachment]”. “Esperamos o acompanhamento de todos vocês para fazer justiça. Paraguai não se entrega nunca mais”, disse.

Impeachment
Segundo o jornal paraguaio ABC, para o impedimento do chefe de Estado e seu vice são necessários, inicialmente, 53 votos na Câmara dos Deputados. A oposição possui 38 deputados, mas pode ultrapassar a marca necessária se contar com o apoio do de parte do partido Colorado comandado por Horacio Cartes, vindo da ala renovadora do partido, liderada por Honor Colorado. O líder do grupo no Congresso, Bachi Núñez, confirmou que vota pelo impeachment: “o pior pecado é entregar a pátria”.

Caso passe pelos deputados, o processo segue para o Senado, onde a oposição por si só já possui maioria. Com a aprovação do pedido, o presidente do Senado, Blas Llano (PLRA), assume interinamente o país por 90 dias com a obrigação de convocar novas eleições.

Em 2012 o ex-presidente Fernando Lugo foi vítima de um processo de impeachment bastante atropelado, realizado em apenas dois dias. O golpe foi condenado internacionalmente, gerou a suspensão do país do Mercosul e criou uma grande instabilidade política.


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