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02 de julho de 2019, 12h21

Agentes fronteiriços dos EUA criam grupo privado de Facebook para fazer piadas com morte de imigrantes

Desde que Trump chegou à Casa Branca, ao menos 24 migrantes morreram nos centros de detenção do sul do país, incluindo 6 crianças. No último dia 26, a foto de Óscar Martínez com sua filha Valeria mortos ao tentar atravessar o rio Bravo, na fronteira entre México e Estados Unidos, chocou o mundo  e revelou o lado mais horrível da crise migratória que vive o continente americano atualmente

Os corpos sem vida de Óscar e Valéria Martínez, em uma margem do rio Bravo (Foto: Julia Le Duc / agência AP)

Causou escândalo nos Estados Unidos a acusação, nesta segunda-feira (1), de que funcionários do Departamento de Aduanas e Proteção Fronteiriça (CBP, por sua sigla em inglês) criaram um grupo fechado no Facebook, onde compartilham fotos e memes de imigrantes mexicanos e centro-americanos, fazendo comentários racistas e piadas com a morte de imigrantes.

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O grupo secreto contava com membros ativos e também com ex-agentes do CBP. Em uma das conversas vazadas, alguns participantes contavam em tom de burla como deixaram um imigrante guatemalteco de 16 morrer sob custódia da Patrulha Fronteiriça. Também se burlaram de um imigrante que atravessou o rio com uma criança dentro de uma bolsa de plástico: “ao menos ela já está no saco de lixo”.

A denúncia foi feita pelo site ProPublica, e mostrou até uma conversa recente, com comentários sobre a visita da congressista de Nova York de descendência porto-riquenha Alexandria Ocasio-Cortez, na última semana de junho, que denunciou as terríveis condições nas que vivem as crianças detidas pela Patrulha Fronteiriça. “Coitados, joguem um burrito para esses cachorrinhos não passarem fome”, comentou um dos membros do grupo.

Mas as burlas não se restringem ao seu próprio trabalho, e tampouco a xenofobia é o único preconceito que nutrem. Em outro assunto comentado internamente, eles se referem à capitã da seleção feminina de futebol dos Estados Unidos, a meia Megan Rapinoe, dizendo que ela “parece um homem”. A jogadora é conhecida por ser uma defensora da justiça social e dos direitos LGTB, já se pronunciou publicamente sobre os problemas de discriminação racial e de gênero e se envolveu numa polêmica recente com Donald Trump, com quem trocou farpas por Twitter.

Após os vazamentos, foi aberta uma investigação do caso, que será realizada pela unidade de assuntos internos da própria CBP. “Estas publicações são completamente impróprias e contrárias à honra e à integridade que se espera de nossos agentes. Qualquer empregado que viole as nossas normas de conduta será sancionado”, garantiu Matthew Klein, chefe de assuntos internos da agência.

Desde que Trump chegou à Casa Branca, ao menos 24 migrantes morreram nos centros de detenção do sul do país, incluindo 6 crianças. No último dia 26, a foto de Óscar Martínez com sua filha Valeria mortos ao tentar atravessar o rio Bravo, na fronteira entre México e Estados Unidos, chocou o mundo  e revelou o lado mais horrível da crise migratória que vive o continente americano atualmente.

 


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