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21 de novembro de 2019, 11h55

Alberto Fernández convida Evo e Lula para a posse e deixa de fora Bolsonaro e a golpista Jeanine Áñez

Senadora que se autoproclamou presidenta da Bolívia após o golpe de Estado não é reconhecida na Argentina nem pelo governo que termina, liderado pelo empresário Mauricio Macri, nem pelo que vai assumir, através do jurista Alberto Fernández

Alberto Fernandez e Cristina Kirchner - Foto: Reprodução

Direto do Chile, especial para a Fórum

O cerimonial de posse de Alberto Fernández como presidente da Argentina, no dia 10 de dezembro, convidou oficialmente o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, e o recentemente deposto presidente da Bolívia, Evo Morales.

A presença de Lula na cerimônia não será possível, já que o líder do PT, depois de agradecer o gesto, alegou não poder comparecer ao ato. Contudo, o convite não surpreende, já que Lula foi visitado duas vezes pelo então candidato Fernández, em junho e em setembro deste ano, enquanto estava na prisão. O peronista, que também é um renomado jurista argentino e professor de Direito da Universidade de Buenos Aires, defendeu em sua campanha a inocência de Lula, e comemorou sua liberdade no dia 1º de novembro.

No entanto, não houve convite para o atual presidente, Jair Bolsonaro, com quem Fernández trocou farpas durante o segundo semestre. O mandatário brasileiro chegou a afirmar que a vitória do peronista seria “um desastre para a Argentina, e fará com que milhares de argentinos queiram vir para o Brasil, como os venezuelanos que fogem de Maduro”.

Não se sabe se haverá algum representante brasileiro na cerimônia, embora se especule com a presença do vice-presidente Hamilton Mourão.

No caso de Evo Morales, segundo a imprensa argentina, o líder indígena boliviano recebeu uma carta pessoal de Fernández, com quem teve encontros em agosto, quando ambos estavam em campanha eleitoral em seus respectivos países.

Meios de comunicação tanto argentinos quanto bolivianos também destacam que, diferente de Evo, a presidenta autoproclamada Jeanine Áñez não foi convidada para a cerimônia. A senadora, que assumiu o poder após o golpe de Estado, não é reconhecida nem pelo governo que termina, liderado pelo empresário Mauricio Macri, nem pelo que vai assumir, através do jurista Alberto Fernández, que já deu declarações afirmando que considera a queda de Evo Morales como “um golpe de Estado”.

Outra personalidade que foi convidada e que causou grande repercussão entre os meios argentinos é o presidente chileno Sebastián Piñera, que vem sendo bastante questionado em seu país, sobre sua possível responsabilidade em violações de direitos humanos, em casos que estão sendo investigados pela Justiça de seu país e por organismos internacionais de direitos humanos. Nos últimos dias, milhões de chilenos têm ido às ruas diariamente para pedir a renúncia de Piñera. Além disso, o chileno, que é um dos empresários mais ricos do país, é amigo pessoal de Mauricio Macri, um dos empresários mais ricos da Argentina, e o presidente que deixará a Casa Rosada na mesma cerimônia.

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