Além de Guedes, empresários bolsonaristas têm offshores em paraísos fiscais

Otávio Fakhoury, que depôs na quinta (30) à CPI do Genocídio, e Marcos Bellizia, ambos investigados pelo STF no inquérito das fake news, são donos de offshores nas Ilhas Virgens Britânicas

Não é só o ministro da Economia, Paulo Guedes, que fundou uma offshore milionária nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe. Os empresários bolsonaristas Otávio Fakhoury e Marcos Bellizia, investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news, também são donos de offshores no mesmo local.

De acordo com informações do Metrópoles, Fakhoury, presidente do PTB de São Paulo e um dos principais alvos da CPI do Genocídio, também tem uma empresa no Panamá, cujos ativos chegam a US$ 3 milhões. “Todas estão dentro da lei”, justificou ele, ao apresentar comprovantes do Imposto de Renda à Agência Pública.

Os dados constam nos Pandora Papers, arquivos inéditos analisados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) em parceria com mais de 600 jornalistas de 151 veículos, em 117 países e territórios. No Brasil, participaram da apuração Agência Pública, Revista piauí, Poder360 e Metrópoles.

Foram obtidos 11,9 milhões de documentos, a partir de bases de dados de 14 escritórios especializados na criação e gestão de offshores em todo o mundo.

O senador Humberto Costa (PT-PE), um dos integrantes da CPI, declarou, durante o depoimento de Fakhoury à comissão, na quinta-feira (30), que parte do dinheiro que financia as fake news no país vem de offshores, segundo investigações que obtiveram a quebra de sigilo bancário de sites e blogueiros acusados de disseminar notícias falsas.

Aliado fiel de Bolsonaro, Fakhoury foi apontado pela CPMI das Fake News na Câmara, aberta em setembro de 2019, como suspeito de financiar páginas e perfis que disseminaram informações falsas na campanha eleitoral de 2018. Em 2020, virou alvo dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos;

Afastado do bolsonarismo?

O empresário Marcos Bellizia, por sua vez, não informou se declarou sua empresa à Receita Federal ou ao Banco Central, como manda a lei. Ele disse que está afastado da militância bolsonarista e, por isso, não concede mais entrevistas, limitando-se a refutar as acusações. “As suas informações estão erradas”, afirmou.  

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.

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