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27 de fevereiro de 2020, 22h51

Anistia Internacional afirma que Chile vive pior crise de direitos humanos desde Pinochet

Além de citar terríveis cifras de mortes, torturas, abusos sexuais e lesões oculares graves, a diretora do organismo no Chile destacou o fato de que apenas 2% das denúncias tiveram algum tipo de sentença por parte da Justiça

Foto: Victor Farinelli

Na manhã desta quinta-feira (27), a Anistia Internacional revelou um informe que mostra um terrível panorama para o Chile atual em termos de direitos humanos.

A organização revelou no informe uma lista com 31 casos de mortes e desaparecimentos nos quais há agentes do Estado investigados como principais suspeitos, desde o início dos protestos no país, em outubro de 2019. Além deles, os casos de abuso sexual (desde desnudez forçada até estupros) já são 97, os de torturas são mais de 700, e são quase 500 os de lesões oculares graves, muitas delas incluindo perda de visão de um ou ambos os olhos.

Em termos legais, o informe fala em milhares de detenções ilegais e estabelecimento de novas leis arbitrárias por parte do Estado chileno, atentando contra liberdades individuais, como a lei que permite controle de identidade a menores de idade, e o uso da Lei de Segurança do Estado para criminalizar o direito à manifestação.

Roberto Morales, porta-voz da Anistia Internacional no Chile, comentou que o país “fechou 2019 com a pior crise de direitos humanos desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990)”. Por sua vez, a diretora do organismo no Chile, Ana Piquer, destacou o fato de que “tão ou mais preocupante que esses números é o fato de que, até o momento, é muito pequeno o nível de sanção que tiveram esses casos. Em pouco mais de quatro meses, menos de 2% das denúncias tiveram algum tipo de sentença, e sobre isso não se questiona somente a lentidão da Justiça como também uma postura do Poder Executivo que não favorece as investigações e sanções dos responsáveis”.

Contudo, o relatório da Anistia Internacional não aborda somente os acontecimentos após o início da revolta social. Ana Piquer também citou a questão da migração como um dos problemas graves no Chile atual, em matéria de direitos humanos. “O acesso de pessoas de certos países, de certas nacionalidades, que vêm ao Chile em busca de refúgio, se tornou mais difícil, e o tratamento àqueles que ingressam ao país passou a ser mais hostil”, comentou a diretora.


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