Antes de encontrar Lula, Papa Francisco faz crítica contundente a Bolsonaro sobre política na Amazônia

As operações econômicas que não respeitam o direito dos povos nativos ao território e sua demarcação, há que rotulá-las com o devido nome: injustiça e crime, diz o documento

O Papa Francisco apresentou nesta quarta-feira (12) seu texto conclusivo sobre o Sínodo da Amazônia. Intitulado de “Querida Amazônia”, com 111 parágrafos (ou itens) e dividido em quatro capítulos. Francisco — sem citar nenhum governo ou presidente da região — critica de forma contundente alguns dos aspectos que passaram a integrar a agenda do Brasil de Jair Bolsonaro no último ano, como a exploração mineral de terras indígenas e a legalização do garimpo.

“As operações econômicas, nacionais ou internacionais, que danificam a Amazônia e não respeitam o direito dos povos nativos ao território e sua demarcação, à autodeterminação e ao consentimento prévio, há que rotulá-las com o devido nome: injustiça e crime”, diz o documento.

E acrescenta: “Quando as autoridades deixam o caminho aberto a madeireiros, a projetos minerários ou petrolíferos e outras atividades que devastam as florestas e contaminam o ambiente, transformam-se indevidamente as relações econômicas e tornam-se em um instrumento que mata”.

A realização do sínodo provocou críticas do governo Bolsonaro à Igreja Católica por considerar a discussão sobre o meio ambiente e os povos indígenas uma ingerência externa na soberania brasileira, uma tentativa de internacionalizar a Amazônia.

Francisco respondeu num dos parágrafos: “A solução não está numa internacionalização da Amazônia, mas a responsabilidade dos governos nacionais torna-se mais grave”.

Com informações do Valor

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