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20 de agosto de 2019, 20h02

Após acordão, presidente do Paraguai derruba impeachment por caso de Itaipu, que envolve clã Bolsonaro

Presidente do Paraguai se safa de impeachment em caso que é acusado de beneficiar empresa ligada a Bolsonaro, seu aliado

Bolsonaro e Mario Abdo (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Por 43 votos a 37, a abertura de processo de impeachment no Paraguai foi negada pelo Congresso do país nesta terça-feira (20). Um acordo do presidente Mario Abdo Benítez com dissidentes do seu partido, o Colorado, garantiu a maioria do parlamento e sustentou sua continuidade no cargo. A oposição pedia a derrubada do presidente por conta de acordo secreto com o Brasil sobre a usina hidrelétrica binacional de Itaipu, que beneficiaria empresa ligada ao clã Bolsonaro.

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Apenas com os votos do Partido Colorado, Abdo Benítez conseguiu se manter na presidência da República e evitar um impeachment contra si e contra seu vice, Hugo Velázquez. Quando o escândalo vazou na imprensa, o setor dissidente, do Honor Colorado, declarou apoio ao juízo político, mas, após Abdo desfazer o acordo com o Brasil, o grupo, comandado pelo ex-presidente Horario Cartes, se uniu ao correligionário.

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Deputados oposicionistas criticaram ferrenhamente a postura dos deputados colorados e consideraram eles como traidores da pátria. Efraín Alegre, líder do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), publicou a lista dos deputados que apoiaram Abdo classificando-os dessa maneira. “A população tem que identificar seus traidores com nome e sobrenome. O povo vai cobrar a traição e a história vai lembrá-los com vergonha”.

O PLRA foi um dos principais responsáveis pelo pedido de juízo político e votou integralmente a favor da abertura do processo. Cristian González, dirigente do partido, disse que, por ora, as manifestações pela saída de Abdo estão suspensas, mas que a oposição segue firme. Ele crê que Abdo não terá tranquilidade, principalmente por causa do acordão feito. “Mario Abdo Benítez de nenhuma maneira vai ter liberdade de governar. Isso quer dizer que quando o Honor Colorado decidir, ele vai sair”, disse à ABC Color.

A deputada Kattya González, do Partido Encontro Nacional, foi uma das que votou a favor do impeachment e também crê que o presidente não terá paz. “Temos um presidente ‘opacado’, desnudado nas suas próprias misérias, incoerente em seu discurso. Essa reconciliação de dois amantes despeitados nada vai trazer de bom à República”, afirmou, referindo-se ao pacto entre Abdo e Cartes.

Mobilizações

A Frente Guasú, do ex-presidente Fernando Lugo, destacou que diversas manifestações espontâneas tomaram o país reivindicando a saída de Abdo após a decisão dos deputados. O partido defendeu a manutenção e o reforço de instâncias de organização e articulação “para garantir a defesa dos direitos sobre Itaipu” e “enfrentar este desgoverno”.

 


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