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21 de fevereiro de 2020, 13h40

Após atentados em Hanau, partido neonazista é acusado de propagar o ódio na Alemanha

Lideranças políticas de diferentes setores afirmam que o AfD (Alternativa para a Alemanha) deve enfrentar sanções e maior vigilância em suas atividades.

Cartaz nas redes sociais contra o AfD (foto: reprodução Twitter)

Depois dos atentados que mataram 11 pessoas e deixaram outras 5 feridas, nesta quarta-feira (19), na cidade de Hanau, no oeste da Alemanha, diversas figuras ligadas aos principais políticos alemães iniciaram uma chuva de críticas nos meios locais ao comportamento do partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha), cujo discurso muitos consideram neonazista.

Lars Klingbeil, secretário-geral do SPD (Partido Social Democrata), liderou os apelos para que exista um maior controle sobre as atividades do AfD, insistindo que os extremistas são responsáveis pela normalização da retórica do ódio aos imigrantes. “

“O ataque em Hanau parece ter sido realizado por uma só pessoa, mas, se pensamos bem, muitos que não estiveram lá com ele lhe forneceram munição, e o AfD está definitivamente entre os que o alimentaram com ideias”, declarou o líder social-democrata, que defendeu a ideia de uma “vigilância institucional” ao partido de extrema-direita.

Já o promotor federal Peter Frank disse que Rathjen demonstrou uma “mentalidade profundamente racista”, e comparou isso com algumas iniciativas do AfD, como o livro de colorir publicado nesta semana, com desenhos ofensivos às comunidades de imigrantes – depois, o partido se desculpou por alguns desenhos, mas reivindicou outros.

Outro que comentou o caso foi Cem Özdemir, deputado de descendência turca e importante membro do Partido Verde. Segundo ele, já é momento de pensar, inclusive na proibição do AfD, por ser “o braço político do ódio”.

O AfD foi fundado como um partido anti europeu – ou seja, a favor de separar a Alemanha da União Europeia. Porém, só ganhou maior destaque no país nas campanhas em que se aproveitou da crise dos refugiados em 2015 para promover um discurso anti-migração. Desde então, é comum ver pessoas com bandeiras ou camisetas com alusões ao nazismo em seus atos políticos.

No entanto, o partido extremista repudiou as declarações sobre sua suposta responsabilidade pelos atentados de Hanau, chamando-as de “instrumentalização nefasta e nojenta deste crime monstruoso”.

Segundo um comunicado difundido pelo AfD, “o `manifesto´ do homem enlouquecido de Hanau é agora conhecido. O diagnóstico remoto de um psiquiatra é que ele sofria de esquizofrenia alucinatória paranóica. Em outras palavras, ele pertencia à ala psiquiátrica. Mas, em vez de sugerir isso, estão sendo feitas tentativas de nos culpar por seu ato de loucura”.

A maioria (9) das vítimas do atentado em Hanau eram imigrantes, e estavam em dois bares típicos da comunidade muçulmana. O assassino, Tobias Rathjen, de 43 anos, era um militante de extrema-direita, claramente simpatizante do AfD, que chegou a postar vídeos racistas na internet antes de realizar os assassinatos.

O ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, anunciou que aumentará a proteção policial em mesquitas, sinagogas e outros locais considerados vulneráveis ​​a ataques de extremistas de direita. Após uma reunião com representantes das comunidades turca e curda, ele declarou que “as manchas de sangue do extremismo de direita ficaram marcadas na história do país, e devemos trabalhar para que não se alastrem”.


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