Após discurso histórico de Cristina Kirchner, Argentina vai às urnas: “Nunca mais a pátria deve cair nas mãos do neoliberalismo”

Os argentinos vão às urnas neste domingo (27) para escolher além do novo presidente, 130 dos 257 deputados, 24 dos 72 senadores e a maior parte dos governos regionais

Com a Argentina levada à bancarrota pelas políticas pró Fundo Monetário Internacional (FMI) implantadas pelo governo Maurício Macri, Cristina Kirchner, candidata a vice na chapa de Alberto Fernandez, fechou a campanha com um discurso histórico em Mar del Plata nesta sexta-feira (24), antes de enfrentar as urnas neste domingo (27).

“Hoje em Mar del Plata não estamos encerrando uma campanha eleitoral. Estamos encerrando um ciclo histórico: nunca mais a pátria deve voltar a cair nas mãos do neoliberalismo. Nunca mais estas políticas”, disse Cristina, que foi presidenta da Argentina por dois mandatos.

Macri chega na disputa deste domingo (27) acuado com as medidas que levaram mais de 35% das famílias para a situação de pobreza. A porcentagem da indigência (extrema pobreza) também subiu: foi de 4,9% no primeiro semestre de 2018 para 7,7% no primeiro semestre de 2019.

Especialistas entrevistados pelo jornal argentino Página 12 apontam que as principais causas são o aumento do desemprego, que passou dos dois dígitos, e a queda no salário real dos trabalhadores, de cerca de 17% desde 2015. A inflação chegou a 55%, o peso sofreu forte desvalorização e o endividamento externo cresceu.

Combate à fome
Admirador de Lula, Alberto Fernández, que encabeça a chapa kirchnerista, lançou durante a campanha o plano “Argentina Sem Fome”, inspirado no “Fome Zero”, idealizado pelo ex-presidente brasileiro.

“Vivemos num país que diz ter potencial para alimentar 400 milhões de pessoas, mas que não pode resolver a fome de 15 milhões de pessoas pobres”, declarou, na cerimônia de lançamento do plano, na Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade de Buenos Aires.

Além disso, a dupla Alberto e Cristina pretendem reverter boa parte das medidas neoliberais impostas por Macri, com uma forte política de geração de emprego no país.

Eleições
Os argentinos vão às urnas neste domingo (27) para escolher além do novo presidente, 130 dos 257 deputados, 24 dos 72 senadores e a maior parte dos governos regionais.

A legislação eleitoral prevê que se no primeiro turno nenhum candidato obtiver 40% dos votos válidos, além de 10% de vantagem sobre o segundo colocado, ou ainda 45% dos votos válidos, um segundo turno, denominado balotaje, ocorrerá em 24 de novembro. Os eleitos serão empossados para mandatos de quatro anos.

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