Entrevista exclusiva com Lula
03 de julho de 2019, 20h16

Após liberdade, capitã de navio que salvou migrantes é ameaçada de morte e levada a lugar secreto

A organização Sea Watch, da qual ela faz parte, não quis revelar a sua localização e não informou tampouco quando ela poderia deixar a Itália, apesar da exigência de Salvini de que ela o faça imediatamente

Carola Rackete, uma das comandantes do Sea Watch 3 (Foto: Sea-Watch.org)

A ativista alemã Carola Rackete, capitã do navio Sea Watch 3, que trabalha no resgate de imigrantes no Mar Mediterrâneo, foi libertada nesta terça-feira (2), após passar vários dias detida na Itália, por violar a lei do ministro do Interior, Matteo Salvini, que impede navios de resgate de atracar nos portos do país.

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Porém, seus problemas não terminaram com a saída da prisão. Nas primeiras horas fora da cadeia, Rackete recebeu diversas ameaças de morte anônimas. Se desconfia que os autores sejam grupos organizados anti-imigração. Pessoas próximo a ela decidiram levá-la a um local oculto, sob forte esquema de segurança.

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A ONG humanitária Sea Watch, da qual ela faz parte, confirmou a informação nesta quarta-feira (3). Ruben Neugebauer, porta-voz da organização, não indicou quando a capitã poderia deixar o país.

A decisão de libertar Rackete veio da juíza Alessandra Vella, que alegou que a ativista “não violou nenhuma lei, mas apenas cumpriu seu dever de proteção da vida humana”. Ao proferir a liminar a favor da alemã, a magistrada desafiou as pressões de Salvini sobre o Judiciário italiano. O ministro do Interior da Itália pediu penas exemplares a Rackete, quem ele chamou de “criminosa” e “pirata”, e agora exige sua expulsão imediata do país, afirmando que ela é “perigosa para a segurança nacional”.

A ONG Sea Watch também difundiu um comunicado com palavras da própria capitã, que agradeceu o apoio recebido de diversos lugares do mundo, e afirmou que a decisão da juíza Vella é “uma grande vitória da solidariedade para com os migrantes e contra a criminalização daqueles que querem ajudá-los”.

O navio comandado por Carola Rackete atracou na Sicília depois de duas semanas em águas internacionais esperando a autorização do governo italiano, trazendo 41 migrantes a bordo, os quais foram resgatados nas costas da Líbia. A nova lei de Salvini, pela qual a capitã foi presa, prevê pena de prisão de até 10 anos para o “crime” cometido por ela, mas acabou não sendo aplicada na corte.


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