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28 de agosto de 2019, 20h17

Argentina declara moratória e Brasil vai pelo mesmo caminho com Bolsonaro

O governo Macri pediu adiamento e a revisão dos vencimentos de sua dívida externa de US$ 56 bilhões, que passou por um grande crescimento durante seu mandato

Foto: Arquivo/PR

O governo da Argentina, capitaneado pelo liberal Maurício Macri, pediu nesta quarta-feira (28) ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a investidores e a bancos o adiamento e a revisão dos vencimentos de sua dívida externa de US$ 56 bilhões, que começam em 2021. O anúncio foi feito pelo novo ministro da Fazenda da Argentina, Hernán Lacunza, que está há cerca de uma semana no posto.

Macri foi responsável por um grande endividamento do país, após suntuosos empréstimos conseguidos com o FMI durante seu mandato. Ele prometeu uma série de reformas para conseguir um dos mais altos valores já entregues pelo Fundo, mas não conseguiu realizá-las como pretendiam os mercados.

“Argentina propôs [ao FMI] iniciar o diálogo para reperfilar os vencimentos da dívida”, disse Lacunza após a perda de cerca de 500 milhões de dólares das reservas do país nas últimas semanas devido à instabilidade do mercado financeiro.

A Argentina passa por um grave crise econômica e social.  Dados oficiais mostram que, somente no atual governo, a inflação dobrou (25% para 56%), a pobreza cresceu (30% para 34%), a indigência quase dobrou (4,5% para 8%), o desemprego ultrapassou os 10%, o dólar triplicou (15 para 46 pesos) e até o consumo de leite e carne diminuíram a níveis alarmantes.

Com o cenário, o presidente sofreu uma derrota estrondosa para os adversário Alberto Fernández e Cristina Kirchner nas eleições prévias, com uma diferença de mais de 10 pontos percentuais – garantindo vitória em primeiro turno para os kirchneristas. Pesquisas apontam que a vantagem tem se alargado ainda mais.

Brasil no mesmo caminho

Aliado de primeira hora de Macri, Bolsonaro está levando o Brasil pelo mesmo caminho e colocado o país à beira da recessão. O dólar disparou para RS 4,19 – um valor recorde – e o Banco Central já teve que vender US$ 1 bilhão da reserva internacional do país. Esses são alertas para um possível fuga de capitais e para um período de recessão econômica. Isso pode ainda fazer com que o governo acompanhe Macri e se endivide com empréstimos do Fundo Monetário Internacional.

Na questão social, a desigualdade de renda segue em disparada e o desemprego tem crescido e ligado um sinal de alerta. Segundo o IBGE, hoje são 12,8 milhões de desempregados (12,7%) no país.


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