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29 de maio de 2019, 08h51

Argentina realiza primeira greve geral do ano e a sexta da era Mauricio Macri

Os principais motivos da paralisação, que acontece a cinco meses da realização do primeiro turno das eleições presidenciais, são os resultados das políticas econômicas, como a inflação de 55,8% nos últimos 12 meses, desemprego de 9,1%, além dos 32% da população que vive abaixo da linha da pobreza

Greve geral na Argentina (Arquivo/CTA)

Esta quarta-feira (29) será de ruas vazias nas principais cidades argentinas, especialmente em Buenos Aires. Duas das três grandes centrais sindicais do país convocaram uma greve de caráter nacional, programada para durar as 24 horas, e cujo alvo são as políticas econômicas, trabalhistas e previdenciárias do governo de Mauricio Macri.

Esta é a sexta greve geral realizada no país durante o mandato de Macri, e a primeira deste ano – houve outras duas greves em nível nacional em 2019, porém restritas a algumas categorias específicas, como transportistas e portuários, e nenhuma delas contou com a participação da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), a maior central sindical do país.

Os principais motivos da paralisação, que acontece a cinco meses da realização do primeiro turno das eleições presidenciais, são os resultados das políticas econômicas do governo macrista, que produziu uma inflação de 55,8% nos últimos 12 meses (15,6% no acumulado deste ano, somente no ramo dos alimentos) e um desemprego de 9,1%, o nível mais alto no país desde 2005. Todos os dados citados são do INDEC (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina), que também apontou, em medição realizada em 2018, que 32% da população argentina vive abaixo da linha da pobreza.

Em entrevista ao jornal Perfil, o líder sindical Rodolfo Daer, um dos porta-vozes da CGT, assegurou que “as imagens desta quarta-feira mostrarão uma cidade vazia, porque os trabalhadores em seu conjunto estão de acordo com as razões da greve. O sindicalista acrescenta também que “o governo disse que acabaria com a pobreza, Macri falou em `pobreza zero´ durante a sua campanha, e hoje nós temos 13 milhões de pessoas em condição de pobreza”.

Os aumentos constantes nos preços dos serviços básicos são outra demanda importante. Os argentinos vêm sofrendo com uma política de aumentos que seguem a lógica de mercado, o que resulta em um acúmulo de aumentos nas tarifas de luz (mais de 2213% em comparação com as tarifas de 2015, quando Macri assumiu), gás (2047%) e água (mais de 1129%), além dos combustíveis e do transporte público. Somente nos cinco meses deste 2019, cada um desses serviços já sofreu pelo menos dois reajustes.

Além da CGT, a greve também será apoiada pela CTA (Central dos Trabalhadores da Argentina), a qual se reuniu recentemente com Luiz Dulci para entregar seu apoio à campanha Lula Livre – razão pela qual a bandeira em favor da liberdade do ex-presidente brasileiro deve ser uma das que será vista durante os piquetes programados pelas diferentes categorias durante a jornada, e especialmente no ato principal, que deve acontecer no final da tarde, em frente ao Obelisco.


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