Notas Internacionais

por Ana Prestes

13 de setembro de 2019, 11h45

Argentina volta ao FMI a um mês das eleições

A Argentina já recebeu um crédito do FMI de 57 bilhões de dólares no ano passado e os primeiros pagamentos constam para 2021. Ninguém acredita que o país conseguirá pagar

– E a Argentina vai recorrer ao FMI novamente. O fundo informou ontem (12) que receberá o ministro da Fazenda do país, Hernán Lacunza, ainda este mês (último mês antes do mês eleitoral de outubro) para negociar novo acordo. A Argentina já recebeu um crédito do FMI de 57 bilhões de dólares no ano passado e os primeiros pagamentos constam para 2021. Ninguém acredita que o país conseguirá pagar. Ontem (12) uma proposta de proposta de lei de emergência alimentar para o país foi aprovada por 222 deputados, com apenas uma abstenção e nenhum voto contrário. O projeto prevê um aumento de 50% das verbas para programas de assistência alimentar.

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– Ernesto Araújo falou sobre o Tiar (tratado interamericano de assistência reciproca) que o Brasil quer desenterrar junto com Colômbia e EUA após pedido de Guaidó, o autoproclamado. Segundo o chanceler, a movimentação “não significa ação militar, de forma nenhuma, não é isso que queremos”, ao mesmo tempo disse: “estamos diante de uma situação que tem presença terrorista, presença de forças violentas aí”. Apesar da fala moderada de Ernesto, durante a votação na OEA, o Brasil rechaçou uma emenda proposta pela Costa Rica que apoiava a reunião de consulta sobre o Tiar, mas com a condicionante de constar no texto o seguinte objetivo: “restauração pacífica da democracia na Venezuela”. O encontro dos signatários do Tiar, aprovado em reunião da OEA (artigo 11 do tratado), deve ocorrer no dia 23 de setembro, véspera da AGNU (ass geral da ONU) em Nova Iorque.

– O diplomata Ronaldo Costa Filho, indicado por Bolsonaro para representar o Brasil na ONU, passou por sabatina da Comissão de Relações Exteriores do Senado e seu nome deve seguir para votação do plenário da casa. O governo quer efeturar a troca antes da viagem de Bolsonaro para a AGNU, pois atualmente quem representa o Brasil é Mauro Vieira que foi ministro das relações exteriores no segundo mandato de Dilma.

– Por falar em Bolsonaro na AGNU, o speech do presidente está sendo preparado em terras americanas onde se encontra o chanceler Ernesto Araújo. Estão sendo consultados os gurus Steve Bannon e Olavo de Carvalho. Enquanto isso, em terras brasileiras, há políticos e diplomatas experientes que temem protestos contra Bolsonaro no momento do seu discurso. Alguns representantes de países podem deixar a sala, por exemplo.

– Enquanto isso, segue a diplomacia estadual no Brasil. Governadores e vice-governadores da região amazônica estão reunidos hoje em Brasília com embaixadores da Noruega, Alemanha e Reino Unido para discutir investimentos internacionais para ações na região. Participam os governos do Tocantins, Amazonas, Pará, Roraima, Maranhão e Rondônia.

– Mais uma crise no Paraguai. Desta vez quem caiu foi o Ministro da Justiça, Julio Javier Ríos, que renunciou após a fuga de um traficante ligado ao Comando Vermelho, facção brasileira, que era transportado de um tribunal para uma prisão pelas ruas de Assunção. A fuga foi amparada por um grupo de homens vestidos com uniformes falsos da polícia paraguaia. A situação levou o presidente Marito a anunciar que pretende emendar a Constituição para autorizar o emprego das Forças Armadas no combate ao crime organizado, o que tem gerado muito debate no país pelo que isso significa de potencial ataque aos direitos humanos no país.

– Há sinais de que China e EUA podem estar diminuindo o nível de tensão da guerra comercial. Ontem (12) Trump disse que pode considerar um acordo comercial preliminar, apesar de preferir um abrangente, e China anunciou que pode voltar a importar produtos agrícolas americanos. Há sinais de que pode voltar uma negociação também com a Coreia do Norte.

– Ainda sobre Trump, muitos disseram que a queda de Bolton poderia ser considerada um certo alívio da pressão beligerante, mas ontem (12), o próprio Trump tuitou, em conversa com o senador anti-Cuba Marco Rúbio, que na verdade Bolton o “segurava” na sua intenção de atacar ainda mais Cuba e Venezuela.

– O mesmo aplicativo, twitter, tão usado por Trump para atacar Cuba, bloqueou ontem várias contas de cubanos, como a do ex-presidente Raul Castro e de veículos de imprensa cubana. A desativação das contas aconteceu no mesmo momento em que o presidente cubano Diaz-Canel falava ao país via TV alertando sobre uma crise energética decorrente das sanções norte-americanas.

– Netanyahu queria instalar câmeras nas seções eleitorais das próximas eleições legislativas, mas sua proposta não conseguiu ser aprovada no Knesset (parlamento), pois toda a bancada de oposição se retirou da votação, impedindo a formação de maioria absoluta pelo premiê. A Lei das Câmaras, que permitiria filmagem indiscriminada de pessoas nas seções eleitorais, tinha como objetivo constranger, criminalizar e reduzir a votação de árabes. O próximo passo, segundo a oposição é derrubar a lei do Estado-nação que estabeleceu o caráter judaico do Estado de Israel e instituiu o hebraico como única língua oficial, sendo que pelo menos 20% dos israelenses tem origem árabe, fora os cristãos e outros afiliados às demais religiões.

– Os democratas americanos realizaram mais um debate dos presidenciáveis ontem (12) em Houston e o pré-candidato Joe Biden está sendo aclamado pela imprensa norte-americana como vencedor das discussões. Há um discurso mainstream de que ele seria o mais “elegível” entre os Democratas para enfrentar Trump. Durante todo o debate, Biden se referiu à sua proximidade com Obama. Participaram 10 pré-candidatas e candidatos neste terceiro debate televisionado. Sanders, Warren, Harris e Booker se destacam junto a Biden como os Top 5 dos presidenciáveis. O enfrentamento maior se dá entre Joe Biden, Bernie Sanders e Elizabeth Warren, sendo que Biden tem um quarto das intenções de voto dos democratas e Sanders e Warren disputam a segunda posição com pouco mais de 15% das intenções cada. A maior polêmica entre eles abordada no debate foi sobre propostas para o sistema de saúde dos EUA.

– Robert Mugabe, libertador da Rodésia e presidente por décadas do Zimbabue, faleceu na sexta passada (6), mas até hoje, uma semana depois, segue o seu funeral sem que se saiba onde será enterrado, por conta de uma disputa entre a família e o atual governo do país. Milhares de pessoas têm comparecido todos os dias ao funeral. Elas querem se despedir do “pai”, como Mugabe era conhecido no país.

– O economista francês Thomas Piketty lançou um novo livro: Capital e Ideologia. Segundo as resenhas que circulam, o livro de mais de 1200 páginas trata do que ele qualifica como o perigo representado pelo avanço das narrativas identitárias em oposição à busca de soluções internacionalistas e igualitárias de reorganização do sistema econômico.


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