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18 de fevereiro de 2020, 13h22

Assessor de Boris Johnson que defendia a eugenia pede demissão

Andrew Sabisky era conhecido por seus tuítes dizendo que negros e mulheres eram inferiores, e chegou a defender a esterilização forçada de mulheres negras para “evitar o surgimento de uma subclasse”.

Boris Johnson e Andrew Sabisky (foto: reprodução)

Quando um chefe de governo tem entre seus principais conselheiros uma pessoa conhecida por seus comentários eugenistas e sexistas, isso é considerado um escândalo… no Reino Unido. Alguns podem ter imaginado que esta primeira frase se referia ao Brasil, onde o presidente é assessorado por diversos terraplanistas e teóricos da conspiração, mas é que lá, diferente daqui, esses preconceitos terminam em demissão.

Que o diga Andrew Sabisky, o jovem de 27 anos que foi nomeado como um dos conselheiros mais próximos do primeiro-ministro Boris Johnson. Em janeiro, Sabisky foi escolhido Dominic Cummings, um dos principais estrategistas de Johnson, que pensava em montar um time de conselheiros “esquisitos e desajustados”.

O problema é que Sabisky não é só um desajustado, é um forte defensor de teorias eugenistas. Desde sua nomeação, a imprensa britânica passou a rememorar uma série de tuítes seus defendendo a suposta inferioridade dos negros e das mulheres.

Em uma entrevista para a revista Schools Week, em 2016, Sabisky justificou a eugenia e a esterilização forçada de mulheres negras. Segundo ele, a eugenia “consiste em selecionar o bom, como o termo indica. A inteligência é algo herdado e produz melhores resultados: melhor saúde física, melhor renda e menos doenças mentais (…) uma maneira de evitar os problemas causados ​​por gestações indesejadas, que criam uma subclasse permanente, seria forçar o uso de métodos contraceptivos na chegada da puberdade”.

A onda de questionamentos às ideias de Sabisky causou uma saia justa em uma entrevista coletiva, realizada nesta segunda-feira (18), em Londres, com um porta-voz de Boris Johnson, que se recusou a comentar se o primeiro-ministro concorda com as opiniões do seu conselheiro – segundo relatou o The Guardian, o porta-voz foi questionado mais de dez vezes, de diferentes formas sobre as ideias de Johnson a respeito dos temas defendidos por Sabisky, e em todas elas respondeu que “as opiniões do primeiro-ministro são conhecidas e estão bem documentadas”, às vezes demonstrando certa irritação.

Mas a pressão da opinião pública teve consequências. Nesta mesma segunda-feira (17), Sabisky pediu demissão do cargo, minutos antes de publicar uma mensagem em suas redes sociais, atacando a imprensa pela situação.

“A histeria da mídia em torno das coisas antigas que postei online é uma coisa de loucos, mas quero ajudar o governo e não ser uma distração. Por isso, decidi pedir demissão, e não serei mais um colaborador”, afirmou o ex-assessor.


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