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29 de julho de 2019, 13h51

Ataque e assassinato de indígena em terra indígena Wajãpi ganha destaque no mundo

Enquanto Bolsonaro nega, ataque às Terras indígenas Wajãpi no Amapá por garimpeiros, que deixou um cacique morto, ganhou destaque em jornais e organismos internacionais

Reportagens no The New York Times e Le Monde (Reprodução)

O ataque às Terras indígenas Wajãpi no Amapá por garimpeiros, que deixou um cacique morto, ganhou destaque em jornais internacionais como o francês Le Monde e os norte-americanos New York Times Washington Post. Os ataques na região amazônica são vistos com temor no exterior e fazem parte de banca de negócios de Jair Bolsonaro na Comissão de Relações Exteriores do Senado para garantir seu filho, Eduardo, como embaixador do Brasil nos EUA.

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Victoria Tauli-Corpuz, relatora da ONU para os Povos Indígenas, diz que Jair Bolsonaro é responsável pela invasão de terras no Amapá, que deixou um indígena Wajapi morto. Tauli-Corpuz crê que o governo deu margem para o tensionamento com as políticas e com o discurso que vem adotando.

“Ele [Bolsonaro] é o chefe-de-estado e, ao fazer tais pronunciamentos nessa linha, então claro que esses grupos vão tentar controlar essas terras, invadir esses territórios”, disse em entrevista a Jamil Chade, do Uol.

Bolsonaro declarou nesta segunda-feira que o indígena não foi assassinado e que vai “mostrar a verdade sobre isso aí”. A política de exploração da mineração nas terras indígenas anunciada por Jair Bolsonaro (PSL) – que tem gerado uma espécie de “corrida do ouro”, com invasões e matança nas aldeias – tem um objetivo claro: conquistar votos na Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado para aprovar o nome de Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira em Washington.

New York Times destaca, em matéria de , que a morte veio após mineradores aumentarem suas incursões em áreas protegidas, incluindo terras indígenas, após um “encorajamento explícito do presidente do Brasil de extrema-direita, Jair Bolsonaro”. O periódico afirma também que “as invasões estão aumentando em todo o país, onde os líderes indígenas afirmam ser regularmente ameaçados por mineradores, madeireiros e fazendeiros”, mas destaca: “assassinatos de líderes indígenas ainda são raros”.

Já o francês Le Monde tratou da indiferença do governo com o caso e contou que “o presidente, como todo o seu governo, pretende explorar as riquezas da Amazônia” e avaliou que Bolsonaro “parece encorajar o desmatamento estimulado por mineradores, bem como agricultores e outros silvicultores”.

“É bastante significativo que depois de mais de vinte anos sem conflito, haja uma invasão dessa violência. Garimpeiros se sentem apoiados. É assustador “, avaliou Joana Cabral de Oliveira, professora de etnologia da Unicamp, ao Le Monde.

Post não avançou muito sobre o caso e se limitou a dizer que a Funai investigava a questão, replicando publicação da agência de notícias Associated Press.

Além dos noticiários, o Brasil foi cobrado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que manifestou “preocupação com as informações recebidas sobre a possível presença de invasores armados no território do povo Wajãpi“. “Solicitamos a devida diligência do Estado brasileiro para proteger e prevenir possíveis violações de seus direitos humanos”, publicou. 


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