terça-feira, 29 set 2020
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Atrizes de Hollywood assinam petição apoiando coletivo feminista perseguido pelo governo chileno

“Estado opressor é um macho estuprador”, gritam milhares de feministas no Chile e em todo o mundo, desde dezembro, quando a performance “Un Violador en tu Camino”, criada pelo Coletivo Lastesis, se tornou sucesso mundial. A manifestação foi criada para denunciar a violência machista de uma forma geral, mas com foco especial nos abusos sexuais cometidos pelas autoridades policiais contra mulheres durante as detenções.

Porém, o sucesso gigantesco da performance, que já foi traduzido para dezenas de idiomas (inclusive em português, com a versão “Um Estuprador em seu Caminho”), fez com que o governo do empresário neoliberal Sebastián Piñera reagisse para tentar resgatar moralmente a polícia.

Em junho, o governo acionou a Justiça, em um processo que acusou as Lastesis pelo suposto crime de “incitação à violência contra os policiais”, devido a que a performance afirma que a instituição de realizar abusos sexuais de forma sistemática.

Desde então, esse coletivo feminista sediado na cidade portuária de Valparaíso tem recebido diversos apoios nacionais e internacionais. O último deles veio nesta quarta-feira, quando diversas atrizes famosas de Hollywood assinaram uma petição exigindo que o governo chileno retire as denúncias contra elas.

Entre as assinantes do pedido estão nomes como Natalie Portman, Julianne Moore, Lupita Nyong´o, Heather Graham, Jodie Foster, Viola Davis, Eva Longoria, Zoe Saldana, Ana de Armas e Milla Jovovich.

A organizadora da iniciativa foi a atriz Leonor Varela, que é chilena radicada nos Estados Unidos, e que assim como as colegas, também integra o movimento Me Too, responsável por denunciar os abusos sexuais na indústria cinematográfica estadunidense – e que reproduziu a performance das Latesis durante o julgamento do ex-produtor Harvey Weinstein, condenado a 25 anos de prisão por abusos contra várias atrizes, entre Anos 90 e a década atual.

“Vamos mostrar a Sebastián Piñera que o mundo está assistindo essa perseguição. Se ele quiser evitar que sejamos vistos como um país atrasado em termos de direitos civis, deve abandonar as acusações”, comentou Varela, em entrevista a jornais do seu país natal.

“Acreditamos que quando os sistemas de poder atacam uma mulher por se opor à violência social, estão atacando todas as mulheres”, afirma a petição do grupo de artistas.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).