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14 de outubro de 2017, 18h06

Áustria: Extrema-direita pode ganhar eleições legislativas

Com um discurso conservador e populista, o Partido da Liberdade da Áustria (de extrema-direita) pode surpreender

Com um discurso conservador e populista, o Partido da Liberdade da Áustria (de extrema-direita) pode surpreender

Por Vinicius Sartorato*, colaborador da Rede Fórum de Jornalismo

Com eleições legislativas marcadas para esse domingo (15/10/2017), a Áustria é uma democracia representativa parlamentarista. Com altos níveis de IDH e renda per capita, foi uma das grandes potências ocidentais da Idade Moderna e Contemporânea. Ocupada pelos Aliados (1945-55), só voltaria a ser independente após assinar um acordo de neutralidade no quadro político do Pós-Guerra.

Com uma reconstrução política marcada pela rejeição de posições extremistas e a hegemonia bipartidária do Partido Popular (ÖVP) e do Partido Social-Democrata (SPÖ), de centro-direita e centro-esquerda respectivamente, o país viu nas últimas décadas, o aparecimento de novas questões e atores políticos. Desde então, além das questões econômicas, as chamadas “guerras culturais” ganharam força.

Eleito em 2013, o presente Conselho Federal (Bundesrat) tem hoje cinco partidos representados, além dos dois partidos tradicionais: os liberais (NEOS), os verdes (Die Grünen) e o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ – de extrema-direita).

Seguindo a onda conservadora e populista, instigada pelo fluxo migratório massivo que o continente recebeu nos últimos anos, o partido de extrema-direita, assim como seus irmãos europeus, conquistou bastante força. Àqueles com boa memória, lembrarão da presença dos extremistas na eleição presidencial de 2016, que foi anulada e em sua segunda edição, teve um resultado apertado a favor do candidato do Partido Verde.

Para eleição deste domingo, o favorito – Partido Popular, pode ser surpreendido pela extrema-direita que já aparece em 1° lugar em algumas pesquisas. Por sua vez, à esquerda, o Partido Social-Democrata, do atual Primeiro-Ministro, Christian Kern, agremiação campeã de votos em 2013, corre o risco de chegar em 3° lugar na eleição.

Enfim, ao que tudo indica, essa eleição parece estar garantida entre as direitas, que formarão o novo governo. Resta saber, qual delas terá mais votos e quem indicará o novo Chanceler. Bem como, quais serão os desdobramentos do resultado para o Estado de Bem-Estar Social, para UE, para esquerda e para classe trabalhadora, já que ambos partidos (ÖVP e FPÖ) se concentraram bastante no tema migratório, sempre rejeitando ou marginalizando o debate ambiental, libertário ou sócio-econômico.

*Vinicius Sartorato é Sociólogo. Mestre em Políticas de Trabalho e Globalização (Universidade de Kassel, Alemanha)


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