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09 de setembro de 2019, 12h25

Bachelet volta a criticar Bolsonaro e diz que queimadas na Amazônia são “catastróficas para a humanidade”

“O total de mortes e danos causados nas últimas semanas na Bolívia, Paraguai e Brasil pode nunca ser conhecido”, disse a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU

Foto: Agência Brasil/Arquivo

A Alta Comissária dos Direitos Humanos da ONU e ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet, voltou a criticar Jair Bolsonaro pelas queimadas e pelo desmatamento na Amazônia, durante a abertura da 42ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, nesta segunda-feira (9).

De acordo com a ex-presidenta chilena, as intensas queimadas que já duram várias semanas podem ter consequências “catastróficas para toda a humanidade”.

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O Brasil foi um dos 40 países citados nominalmente pela Comissária, durante discurso inaugural da reunião da ONU como locais de preocupação por conta da situação de direitos humanos.

Bachelet escolheu o meio ambiente como o principal tema de seu discurso. “Estamos queimando nosso futuro, literalmente. O mundo nunca viu uma ameaça para os direitos humanos dessa dimensão”, declarou.

Veja alguns trechos do discurso de Michelle Bachelet:

“Essa não é a situação onde um país ou político pode ficar de fora. As economias de todas as nações, o tecido social, político e cultural de todos os estados serão afetados”.

“Estou profundamente preocupada com a drástica aceleração do desmatamento da Amazônia. Os incêndios que atualmente assolam a floresta tropical podem ter um impacto catastrófico na humanidade como um todo, mas os seus piores efeitos são sofridos pelas mulheres, homens e crianças que vivem nessas áreas – entre eles, muitos povos indígenas”.

“O total de mortes e danos causados nas últimas semanas na Bolívia, Paraguai e Brasil pode nunca ser conhecido. Apelo às autoridades dos seus países para que assegurem a implementação de políticas ambientais de longa duração e de sistemas de incentivo à gestão sustentável, evitando assim tragédias futuras”.

“Há vários casos em que projetos de desenvolvimento, tais como grandes hidrelétricas e plantações de biocombustíveis, foram financiados por instituições financeiras internacionais em nome da ação climática – mas têm prejudicado os direitos dos povos indígenas e comunidades locais, incluindo as mulheres”.

“Exorto todas as instituições de desenvolvimento e financiamento – incluindo os mecanismos estabelecidos ao abrigo do artigo 6º do Acordo de Paris – a estabelecerem salvaguardas em matéria de direitos humanos, com a participação e o acesso à informação, à justiça e às vias de recurso no seu cerne”.

“Os defensores do ambiente – incluindo aqueles que defendem o direito à terra dos povos indígenas – prestam um grande serviço aos seus países e, na verdade, à humanidade. O Escritório e Relatores especiais observaram ataques a defensores dos direitos humanos ambientais em praticamente todas as regiões, especialmente na América Latina”.

“Estou desanimada com esta violência e também com os ataques verbais a jovens ativistas como Greta Thunberg e outros, que galvanizam o apoio à prevenção dos danos que a sua geração pode suportar. As exigências feitas pelos defensores e ativistas ambientais são convincentes, e nós devemos respeitar, proteger e cumprir os seus direitos”.

“Nossos países têm demonstrado que, em muitas ocasiões, podem superar desafios enormes de direitos humanos. Alguns, como o meu, virou suas costas para a ditadura e estabeleceu democracias vibrantes”.

“Muitos permitiram que pessoas anteriormente discriminadas e oprimidas – incluindo mulheres – fizessem suas escolhas fundamentais, em liberdade”.

“Hoje, temos de defender conquistas que foram duras de atingir”.


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